Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 19/08/2020
O advento de inovações tecnológicas como a internet, nas décadas finais do século XX, provocou mudanças impactantes no cotidiano contemporâneo, sobretudo nas relações interpessoais e no processo produtivo, que está cada vez mais mecanizado. Ao tomar esse recorte histórico como ponto de referência para pensar sobre as habilidades e competências para as profissões do futuro, nota-se que o domínio das tecnologias e a resiliência para acompanhar a exponencial evolução do mercado de trabalho se tornaram imprescindíveis para se inserir nesse contexto. Desse modo, é determinante analisar esse novo cenário, destacando os desafios enfrentados pelos novos trabalhadores, bem como questionar de que forma o sistema de ensino prepara os alunos para essa nova realidade.
Em primeiro plano, é preciso esclarecer que a incorporação das máquinas e computadores no processo produtivo prejudicou os empregos que exerciam essas funções, valorizando, portanto, a capacidade de conhecimento dessas tecnologias, a fim de aprimorá-las cada vez mais de acordo com as necessidades da empresa. Tal afirmação coaduna-se ao fato de que, para Zygmunt Bauman, não se pode conceber a sociedade do futuro sem tecnologia, pois a Era Digital se caracteriza pela implementação de novos hábitos cotidianos. Isto posto, é imperativo que, para se manter atualizado e apto ao mercado de trabalho contemporâneo, é preciso saber “domesticar” a tecnologia.
Convém ainda lembrar, nesse contexto, que a construção dessas habilidades não é feita na escola, pois há a priorização do conteudismo cartesiano em detrimento à formação cidadã. Isso pode ser revertido a partir do momento em que o princípio do bem-estar social, defendido por Aristóteles na obra “República”, for levado em consideração. Para o filósofo, é dever do governo zelar por condições de vida digna da população por meio de políticas públicas, como saúde e educação. Em outras palavras, o Estado falha ao oferecer esse tipo de ensino, pois não há a efetiva formação de habilidades fundamentais como a comunicação e a resolução de problemas, prejudicando os jovens em sua trajetória profissional.
Por fim, entende-se que é necessário reunir esforços para resolver esse impasse. Logo, a fim de atenuar o problema, cabe ao Ministério da Educação a elaboração de um currículo técnico a ser implementado no Ensino Médio, que aborde estratégias de trabalho em equipe e debates, além de aulas de informática. Por meio desse currículo, os alunos são preparados desde cedo para essa realidade, os auxiliando em suas futuras escolhas profissionais em uma atualidade extremamente competitiva. Dessa forma, espera-se viver em um futuro em que esse atroz cenário seja superado, ampliando as possibilidades de crescimento pessoal e profissional das gerações futuras.