Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 22/08/2020
No livro “Ensaio Sobre A Cegueira”, de José Saramago, uma cegueira generalizada acomete o corpo social, o que pode ser interpretado como o estado de irreflexão e de apatia da sociedade pós-moderna. Ao mergulhar nessa distopia para tecer reflexões sobre as habilidades e competências para o futuro, vê-se a necessidade de se construir uma consciência coletiva, baseada na reflexão e na empatia, na sociedade hodierna. Nesse sentido, cabe analisar de que forma a desigualdade social prejudica os mais pobres no mercado de trabalho, bem como esclarecer por que o não oferecimento governamental de educação focada na área de tecnologia afeta as classes sociais baixas.
Em face dessa proposição inicial, é preciso entender que devido a modernidade do século XXI, dominar a tecnologia e desenvolver as competências de versatilidade e de criatividade se tornou essencial para se inserir no meio profissional atual. Nessa lógica, em uma analogia ao pensamento de Saramago, é notória uma sociedade marcada pela letargia, uma vez que, tendo em vista o alto custo de obtenção, os mais pobres não têm acesso aos recursos digitais, e, consequentemente, não desenvolvem as habilidades exigidas no mercado de trabalho atual. Isso significa que a classe mais abastada é privilegiada, pois tem condição financeira para cumprir as exigências profissionais. Dessa forma, percebe-se a perpetuação da desigualdade e do abismo entre as classes sociais no Brasil. Convém assinalar, ainda, que as habilidades exigidas no mercado de trabalho começam a ser desenvolvidas nas escolas, a partir do contato com recursos tecnológicos que estimulam a dinâmica dos jovens. Nesse contexto, ganha voz a concepção de Rousseau, filósofo contratualista, na obra “Do Contrato Social”. Conforme o pensador, a ordem e o bem-estar social devem ser assegurados pelo Estado, ou seja, há uma ruptura do contrato social, já que o governo não oferece artifícios para a capacitação da classe mais baixa nos colégios, devido a falta de uma educação focada no mundo digital. Portanto, os mais pobres estão em desvantagem profissional em relação aos demais.
Diante dos argumentos supracitados, é necessário concentrar esforços em reverter esse quadro da capacitação profissional. A priori, as empresas privadas de tecnologia devem facilitar o acesso de recursos digitais para a classe mais baixa, a partir de ações comunitárias em bairros carentes, a fim de apaziguar as consequências do abismo social entre pobres e ricos. De modo complementar, cabe ao Ministério da Educação capacitar os jovens de baixa renda, a partir da implementação na Base Nacional Comum Curricular de uma disciplina sobre tecnologia, com o fito de desenvolver nos estudantes as habilidades exigidas no mercado de trabalho. Promovidas essas ações, espera-se melhorar o cenário de letargia, da sociedade moderna, abordada no livro de Saramago.