Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 02/09/2020
Na voz de Elis Regina, a canção “Querelas do Brasil” transforma-se em um grito de alerta, ao desconstruir o ufanismo de “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. Ao considerarmos os versos agudos de Querelas do Brasil para pautarmos uma discussão sobre o despreparo brasileiro acerca das habilidades e competências necessárias para um mercado de trabalho moldado pela interferência tecnológica, pode-se afirmar que as letras impactantes da obra são um reflexo dessa realidade nociva: “O Brasil tá matando o Brasil”. Por conseguinte, é preciso questionar o impacto das tecnologias emergentes no mercado de trabalho, bem como avaliar o papel da educação neste cenário.
Em face dessa declaração inicial, é preciso esclarecer a relação entre as características trabalhistas futuras e a tecnologia, as quais vem modificando a aplicabilidade humana desde o advento da Revolução Industrial, no século XVIII, onde o homem foi vagarosamente substituído pela máquina, gerando a necessidade de novos empregos para atender o trabalhador. Inclusive, observa-se com nitidez um fenômeno contemporâneo similar, onde, em época de evoluções em todos os ramos imagináveis, as habilidade humanas se tornam arcaicas frente ao poderio tecnológico, com a tendência de ofícios que requerem força manual ou intelecto amplo a desaparecerem. Nessa perspectiva, é notório a essencialidade de profissionais com índole criativa e inovadora.
Em outro viés, vale salientar o papel da educação na construção de um indivíduo apto a adaptar-se às exigências do mercado de trabalho. Assim, instituições educacionais deve ensinar a discernir o que é importante e correto e como utilizar e aplicar o conhecimento, tendo como objetivo preparar os alunos para as novas realidades tecnológicas que envolvem suas escolhas profissionais. A esta luz, ressalta-se o pensamento do filosofo Immanuel Kant, que estabelecia a educação como responsável por aquilo que o homem se torna. A partir dessa ideia, é evidente que o sistema educacional é essencial na resolução dessa questão.
Entende-se que, a fim de atenuar o problema, urgem medidas para solucionar este impasse. Portanto, é imperiosa uma ação do Ministério da Educação (MEC), que deve garantir a atualização dos diplomas dos trabalhadores, por meio de cursos técnicos, palestras e fóruns de debate, com a finalidade de instruir os profissionais atuais e evitar o desemprego . Além disso, compete ao MEC implantar uma diversificação curricular em escolas e universidades, adicionando matérias que fortificam e adicionam ao currículo estudantil, a partir de pautas variáveis, mas complementares, visando capacitar as novas gerações para o mercado de trabalho. Apenas assim, o Brasil se aproximará da utopia descrita em Aquarelas do Brasil.