Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 25/08/2020
Na obra “A sociedade dos indivíduos”, o sociólogo Norbert Elias sustenta a tese de que é possível consolidar bem-estar individual e uma sociedade livre de conflitos. Contudo, ao se discutir sobre o mercado de trabalho no Brasil, percebe-se um despreparo de parte dos indivíduos que o compõe, em razão da falta do domínio em tecnologia e outras especializações. É determinante, então, questionar a atuação do Estado na educação, porque, embora a Constituição Cidadã assegure um método de ensino que qualifique os indivíduos para o trabalho, a realidade evidencia que a abordagem conteudista de escolas e universidades não promove o pleno preparo do cidadão para o ramo trabalhista.
A partir da proposição inicial, é preciso esclarecer que o mercado de trabalho atual não exige de seus trabalhadores apenas o domínio teórico, mas que eles tenham também conhecimento acerca de habilidades que envolvam as relações humanas. Ademais, não se pode negar que é dever do Estado a qualificação laboral do indivíduo, porque, como advoga Rousseau, a função estatal é organizar a sociedade civil. Isso significa que, em relação às escolas, percebe-se lacunas no ensino básico, que futuramente podem comprometer a plena atuação do indivíduo no ramo trabalhista, já que o ensino atual conteudista não estimula o desenvolvimento de habilidades como criatividade, comunicação e pensamento crítico. Desse modo, infere-se que, caso não ocorra mudança no olhar sobre a importância de uma formação cidadã, dificilmente os indivíduos vão atender as exigências do mercado de trabalho.
Ainda nessa linha de raciocínio, é preciso considerar que cada vez mais empresas do mercado laboral estão modernizando técnicas e adotando métodos inovadores em seu cotidiano. Inclusive, compreende-se a necessidade dos trabalhadores terem o domínio do conhecimento em tecnologia, uma vez que, basta lançar olhar sobre a sociedade para comprovar que essa é a nova realidade do mercado de trabalho, que insere-se no contexto da quarta revolução industrial e tecnológica. Nessa perspectiva, há, como alerta Pierre Bourdieu, um poder simbólico a domesticar os atores sociais, de modo que os indivíduos não se destacarão no mercado laboral se não obtiverem o estudo acerca de tecnologia em seu ensino superior, por exemplo. Assim, fica claro que a inovação e a modernização tornam-se poderes simbólicos na perspectiva laboral atual.
É importante, então, buscar um caminho que possa reverter esse processo. Logo, é fundamental que o Ministério da Educação estabeleça como meta a ampliação do currículo escolar, implementando novas disciplinas que agreguem o desenvolvimento da criatividade e senso de liderança dos alunos. Ademais, cabe ao Governo Federal a criação de novos cursos superiores que tenham o objetivo de especializar trabalhadores em tecnologia. Com essas ações, há chances de reverter o cenário atual.