Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 02/09/2020
Ao ler a obra “O mal-estar da pós-modernidade”, do sociólogo Zygmunt Bauman, é possível compreender que a sociedade contemporânea se desviou do projeto da comunidade como defensora do direito universal à vida decente e dignificada e passou a vivenciar a irracionalidade e a cegueira moral. De maneira análoga, é perceptível que essa circunstância está intrínseca na realidade hodierna por meio . Nesse sentido, torna-se determinante questionar a preparação dos indivíduos para o mercado de trabalho atual, bem como avaliar o ensino predominantemente cartesiano nas escolas e nas universidades.
A partir dessa proposição inicial, é preciso esclarecer o despreparo das pessoas em lidar com o atual mercado de trabalho, em razão da exigência de habilidades e competências pouco desenvolvidas pelos mesmos. Além disso, nota-se que com os rápidos avanços tecnológicos a demanda por pessoas mais adaptadas a esse novo universo é maior, logo uma simples graduação se tornou algo comum hoje em dia. Nessa lógica, é nítida a escassez de experientes criativos. Nesse sentido, embora as condições do mercado sejam evidentes, não há dúvidas de que a irracionalidade, como alerta Bauman, dificulta a agilidade na adaptação. Logo, nota-se a necessidade de despertar essas atribuições.
Ainda nesse contexto, não se pode esquecer como a cultura do ensino cartesiano sólido obstaculiza a criatividade e a formação de habilidades e competências, visto que o foco do trabalho nos institutos educacionais se localizam em aprender o conteúdo muito receptivo e pouco ativo inibindo a capacidade do aluno de desenvolver essas características. Aliás, fica claro que com um ensino aberto a opções menos conteudistas com discussões através de debates e pensamentos compartilhados, a expansão intelectual cresceria exponencialmente. Nessa perspectiva, acentua-se a necessidade de um ensino mais flexível, uma vez que, como sugere o filósofo Edgar Morin, é preciso ensinar a compreensão humana. Em outras palavras, o ser humano precisa da intervenção e do pleno resultado por meio da educação para formá-lo.
Diante dos argumentos supracitados, urgem medidas para solucionar esse impasse. Posto isso para mitigar essa problemática, cabe ao Ministério da Educação incentivar uma abertura maior de vagas de estágio, por meio do contato com empresas estatais, visando proporcionar uma experiencia onde possa aprender novas habilidades e praticar aquilo que veio estudando. Ademais, compete ao mesmo agente implementar uma disciplina diversificada sobre “habilidades e competências”, a partir de uma alteração na grade curricular, visando conscientizar os estudantes a respeito de um olhar mais amplo. Feitas essas ações, espera-se tornar a realidade apresentada por Bauman menos brutal.