Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 24/08/2020

Na obra “Fundamentação da metafísica dos costumes”, o filósofo alemão Immanuel Kant elabora o imperativo categórico, cujo conceito, “agir de tal maneira que o agir possa se tornar máxima universal”, conduz à reflexão sobre o que motiva a ação humana e compreender a moral e a ética. Não obstante, deve-se observar que, em casos como as habilidades e competências para as profissões do futuro, a irracionalidade prevalece. À vista disso, cabe analisar o papel do sistema educacional obsoleto do Brasil na formação dos próximos trabalhadores, bem como esclarecer de que forma a atualização tecnológica modifica as relações profissionais, ressaltando os efeitos para o corpo social.

Em face dessa enunciação inicial, pode-se dizer que o método de ensino que permeia as escolas brasileiras, dissociado de tecnologia, vagarosamente se diverge das exigências dos seguintes ofícios. Nessa perspectiva, atesta-se a percepção de Kant, na medida em que o conservadorismo, baseado em um modelo conteudista, dificulta o ajuste dos ensinamentos de acordo com as necessidades das ocupações laborais, é consolidado um ato irracional. Há, evidentemente, a partir disso, uma preparação debilitada para a especialização dos jovens, em virtude da futura subutilização, no mercado de trabalho moderno, de grande parcela dos conteúdos ensinados nos colégios. Logo, é imprescindível que esse cenário seja contornado para o desenvolvimento sadio da nação.

Outrossim, a inserção de robôs e de inteligência virtual no âmbito do trabalho dissolveu os padrões que estavam instaurados quanto ao perfil de funcionário almejado pelas empresas. Diante desse contexto, ganha voz a concepção de Zygmunt Bauman, relatada no livro “Modernidade Líquida”. Conforme o pensador, a hodiernidade é intrínseca a relações efêmeras, portanto, os indivíduos que não se submeterem as mudanças terão que lidar com prejuízos. À luz dessa ideia, nota-se que os empregados são obrigados a se adaptarem aos novos postos de serviços a fim de assegurar suas vagas, em uma rivalidade contra as máquinas. Por conseguinte, fica claro que a redução de empregos é fomentada pelo avanço tecnológico, o que carece de planos no almejo do regozijo dos cidadãos.

Dessarte, urgem medidas para facilitar o sucesso no mercado de trabalho na contemporaneidade. A princípio, cabe ao Ministério da Educação a tarefa de criar projetos obrigatórios de interação com tecnologia nas escolas, a partir da alteração da BNCC, com vistas a adequar os alunos para o novo ambiente das profissões e facilitar a montagem de um projeto de vida pelos mesmos. Em paralelo a tal ação, compete ao Ministério do Trabalho realizar campanhas apelativas que explicitem os quesitos essenciais para o sucesso nessa fase, pautada no maior direcionamento de verba para o setor, com o fito de formar profissionais mais capacitados. Implementadas essas ideias, espera-se sanar o impasse.