Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 23/08/2020
A narrativa trágica “Ensaio Sobre a Cegueira”, de José Saramago, sugere ao leitor “a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam”. Ao seguir essa sugestão, como ponto de partida para fomentar a discussão sobre os as habilidades e competências que o mercado de trabalho vai exigir dos profissionais do futuro, é necessário encarar a realidade e denunciar as consequências maléficas que a ineficiente ação do Estado gera. Assim, não há dúvidas de que é preciso repensar como a negligência estatal afeta o cenário, bem como a crise de valores, ambos, ao não priorizar o pensamento crítico e as qualidades na educação da população.
Nessa perspectiva, é preciso ressaltar que o Estado brasileiro não prioriza ações que possam contornar os futuros efeitos negativos do fenômeno, em razão da necessidade de grande investimento nas instituições escolares. Aliás, não se pode negar que o posicionamento estatal criará consequências maléficas, como a desigualdade social potencializada pela diferença de preparo para o mercado de trabalho entre os indivíduos que cursaram escolas públicas e particulares no Brasil. Em função disso, ganha força a ideia de que é preciso, parodiando Saramago, buscar a compreensão, quando a razão deixa de ser o norte do comportamento dos indivíduos. Dessa forma, fica claro que é necessário que o Estado opte por um posicionamento assistencialista dessa classe, preparando-a melhor para o futuro.
Além disso, convém lembrar que há um aspecto em que a educação brasileira e a tendência futura do mercado de trabalho converge, que é a necessidade de sempre estar aprendendo e se inteirando das tecnologias. Já que, ao lançar o olhar sobre a realidade, verifica-se que as instituições educacionais são indiferentes à saúde mental e aos interesses dos alunos, ajudando, assim, com a consolidação dessa consciência, ou, como sugere Zygmunt Bauman, os atores sociais, condenados à cegueira moral, tendem a agir na irracionalidade. Logo, constata-se que o menosprezo dessas instituições sociais à promoção de meios que construam um ambiente agradável contribuem para o desinteresse dos alunos em permanecer estudando e construindo uma carreira acadêmica.
Sendo assim, é visível a necessidade de mudança para que o cenário brasileiro se distancie de um cenário no qual a desigualdade social prevaleça. Inicialmente, cabe ao Ministério da Educação melhorar a qualidade das aulas a partir de um melhor direcionamento em busca da criação de qualidades que serão buscadas em um trabalhador no futuro, como criticidade, inovação e criatividade. Ademais, compete ao mesmo Ministério a construção de uma forma de ensino que incentive os jovens a permanecer estudando. Com essas ações realizadas, o Brasil melhorará a qualidade de vida das gerações futuras.