Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 02/09/2020

Em sua obra “A Condição Humana”, a filósofa alemã Hannah Arendt afirma que a autonomia do homem transformou-se na tirania das possibilidades. Em outras palavras, a modernidade impôs ao homem padrões, esperança e culpa. Ao considerar esse olhar filosófico como ponto de partida, para tecer argumentos acerca da incerteza perante às profissões do futuro, é necessário verificar quais elementos sociais foram determinantes nesse entrave. A vista disso, cabe não só analisar a mudança do mercado de trabalho, mas discutir por que a tecnologia influencia nesse cenário.

Primeiramente, é preciso ressaltar que desde a primeira revolução industrial, o mundo enfrenta diversas transformações socioeconômicas, que mudam radicalmente a estrutura social trabalhadora. Sob essa ótica, confirma-se a percepção de Arendt, na medida que com essas mudanças, surgem mais requisitos para se sobressair no mercado de trabalho. Há evidentemente, a partir disso, a necessidade de um maior aprimoramento, já que só a graduação não garante um destaque no meio econômico. Dessa forma, observa-se que com tais exigências, se torna cada vez mais difícil a ascensão social das classes menos favorecidas, uma vez que no Brasil, o acesso a meios que possibilitam um maior desenvolvimento profissional é praticamente inexistente.

Ademais, é preciso reconhecer que muitas das mudanças socioeconômicas se devem a rápida evolução tecnológica. Nesse contexto, consolida-se a percepção do filósofo iluminista Rousseau, em sua obra “O Contrato Social”. Conforme o pensador, para o bom funcionamento dos organismos sociais, é preciso que haja uma relação de confiança entre o Estado e a sociedade, configurando um princípio de cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório que há uma ruptura do contrato social, pois mesmo com a crescente demanda por profissionais que dominem a tecnologia e que saibam trabalhar com máquinas, o Estado não oferece à população nenhum tipo de preparo a essa procura do mercado.

Diante dessas reflexões, são necessárias ações que busquem minimizar esse quadro. Nessa lógica, torna-se inadiável que o Ministério da Educação, ofereça cursos profissionalizantes de diversas áreas, para que a população consiga atender as exigências do mercado de trabalho. Outra ação, a ser empenhada pelo ministério supracitado é instituir, nas escolas brasileiras, a partir de aulas práticas, uma disciplina diversificada que capacite os alunos, desde crianças, a saberem lidar com máquinas tecnológicas, de modo que consigam manuseá-las e consertá-las, com o proposito de integrá-los as novas circunstâncias. Implementadas essas ações, espera-se solucionar o problema da adaptação a nova realidade do mercado de trabalho.