Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 20/08/2020

A partir de meados do século XX, o advento da Terceira Revolução Industrial modificou intensamente os modos de produção, gerando relações de trabalho, antes inexistentes. Por outro lado, houve a permanência de uma ideologia herdada do Período Colonial, em que profissões de elite, como médico, engenheiro e advogado eram visadas como símbolo de sucesso pessoal. Em meio a essa contradição, o Brasil encontra dificuldades em se adequar à nova realidade do trabalho. Cabe, portanto, reconhecer a importância da consciência coletiva para a expansão de carreiras contemporâneas, bem como analisar o papel da vulnerabilidade social para a intensificação dessa problemática.

Em abordagem inicial, compreende-se que o rápido avanço do universo técnico-informacional não foi acompanhado da renovação da mentalidade brasileira quanto às necessidades da era atual. Nesse sentido, observa-se não só o desconhecimento de empregos que fujam da perspectiva tradicional, mas também a desvalorização destes. Por esse motivo, os jovens são, muitas vezes, desestimulados pelas famílias a se engajarem em atividades que desenvolveriam importantes habilidades, à exemplo de programação, de criação de conteúdo, de jogos eletrônicos e de edição digital. Com isso, a evolução da conjuntura de trabalho é obstaculizada.

Ainda nesse raciocínio, outro aspecto relevante é a desigualdade socioeconômica que marca a nação. Diante disso, deve-se reconhecer que milhões de brasileiros não possuem acesso a produtos tecnológicos como computadores, o que impede que eles adquiram competências que os tornariam mais competitivos no mercado, perpetuando sua exclusão. Desse modo, como bem atesta o sociólogo Karl Marx, em sua concepção acerca do Materialismo Histórico, as condições materiais determinam as oportunidades de vida, os valores e a função social exercida pelos indivíduos em uma comunidade. A partir disso, é lógico concluir que a pobreza limita a discussão acerca dos empregos do futuro.

Tendo em vista o panorama apresentado, urge modificar as ambições profissionais no Brasil. Para tanto, é dever do Ministério da Educação criar um amplo programa de Orientação de Carreira, por meio de feiras e de palestras com pais e alunos, além de realizar projetos voltados para conhecimentos e valores necessários à conjuntura do mercado, com o fito de favorecer novas profissões. Compete ao Ministério da Economia, em paralelo, reduzir os impostos sobre produtos digitais, de modo a facilitar sua aquisição por famílias de baixa renda, visando a melhor incluí-los nos cenários de trabalho. Feito isso, o Brasil poderá se adequar as previsões futuras e pautar-se em desenvolvimento e igualdade.