Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 22/08/2020
Segundo o historiador Eric Hobsbawn, em sua obra “A era dos extremos”, no século XX, ocorreu uma profunda revolução moral e cultural, uma dramática transformação das convenções de comportamento social e pessoal. Ao considerar essa percepção histórica como ponto de partida para tecer argumentos sobre as habilidades e competências para as profissões do futuro, observa-se um despreparo do Brasil em relação à preparação dos futuros cidadãos brasileiros para o mercado de trabalho, em razão da falta de inovação nas escolas, responsáveis por desenvolver essas habilidades nos estudantes. Nesse sentido, é preciso analisar os impactos sociais da falta de inovação nas escolas, bem como esclarecer soluções que deveriam ser tomadas pelo Estado para combater esse impasse.
A partir dessa contestação inicial, é preciso explicitar que o sistema educacional brasileiro está parado no tempo, devido ao descaso do poder público na administração desse setor. Inclusive, nota-se que as escolas desenvolvem habilidades não condizentes com o período de inovação atual, pois desenvolvem um estudante pouco criativo e independente. Por esse ângulo, não há dúvidas de que, como alerta, Zygmunt Bauman, os indivíduos contemporâneos tendem a agir na irracionalidade. Isso significa que, com relação aos administradores públicos, é evidente que não agem de forma racional, ao prepararem os futuros cidadãos para um mercado de trabalho ultrapassado.
Ainda nesse contexto, não se pode esquecer de que a estagnação da educação está ligada à má distribuição dos recursos disponíveis, até porque é preciso de um planejamento para alocação do dinheiro, visando eficiência. Aliás, fica claro que, além de uma mudança nos métodos de ensino, é necessário adaptar a infraestrutura das escolas de acordo com as invenções existentes, como tablets e notebooks. Nessa perspectiva, como alerta o filósofo Luc Ferry, é preciso entender que virtude e ação desinteressada são inseparáveis. Posto isso, basta lançar olhar sobre a realidade para constatar que uma estrutura escolar adequada é fundamental para o preparo para as futuras profissões.
É importante, então, buscar um caminho que possa reverter esse processo. Nesse aspecto, é imprescindível que o Ministério da Educação estabeleça como objetivo desenvolver habilidades e competências inovadoras nos estudantes, implementando atividades extracurriculares, como aulas de robótica e línguas estrangeiras, para que o jovem se torne mais criativo e independente. Outra medida necessária, a ser implementada pelo Poder Legislativo, deve redistribuir os recursos destinados á educação, mediante reforma do Pacto Federativo, com o propósito de gerar mais independência aos estados e municípios, para que esses, invistam nas áreas adequadas. Com essas ações, há chances de preparar, com excelência, os jovens para as profissões do futuro.