Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 29/09/2020

A Constituição Federal de 1988, no Artigo sexto, assegura que todos os cidadãos têm direito ao trabalho, de modo que lhe permita viver com qualidade de vida e dignidade. Entretanto, no cenário brasileiro hodierno, observa-se que a questão das exigências de habilidades e competências para as profissões do futuro evidenciam que o preceito legal não é cumprido em sua totalidade, visto que há um imbróglio que impede a igualdade de acesso ao trabalho. Nesse contexto, deve-se analisar como a desigualdade social e o despreparo do sistema de ensino provocam e agravam esta problemática.

Observa-se, inicialmente, que a desigualdade social é a principal responsável pelo problema. Isso decorre da ideia de “globalização perversa” definida pelo geógrafo Milton Santos, o qual mostra a globalização como um mundo caótico que desencadeou inúmeros problemas sociais, entre eles, a desigualdade e o desemprego.  Sob essa óptica, as necessidades de ampliar as habilidades para manter-se empregado evidenciam um novo modo de segregação espacial, posto que não se aplicam às pessoas de baixa renda, que, majoritariamente, não têm acesso ao ensino básico, menos ainda, às universidades. Essa situação dificulta a ampliação de competências para as profissões, e aumenta o subemprego e, possivelmente, um consequente desemprego, já que há cada vez mais uma exigência de profissionais dotados de cursos superiores e hábeis à inteligência artificial.

Em segunda instância, é imperativo pontuar que o despreparo no sistema de ensino também contribui para a manutenção desse impasse. Isso ocorre porque, devido às novas demandas no processo de produção, os indivíduos são forçados a adaptar-se aos novos moldes para manterem-se ativos na sociedade atual. Como mostra  “A quarta revolução industrial”, livro escrito pelo economista alemão Klaus Schwab que descreve as modificações no modo de produção do mundo, além de introduzir o conceito de Indústria 4.0 – que define as novas necessidades das indústrias atuais. No entanto, as universidades não exigem em seu currículo a larga especialização e atualização constante que capacitem os futuros profissionais de habilidades para as novas exigências profissionais.

É indubitável, portando, que no Brasil se repense a questão das habilidades e competências para as profissões do futuro. Por isso, cabe às universidades ampliar o número de vagas à população carente, mas também ofertar no currículo as novas exigências do mercado de trabalho por meio da implementação de componentes tecnológicos e com constante atualizações que os desafiem à evolução. E através da mídia falar mais sobre a necessidade de se manter atualizado às demandas atuais. Dessa forma, a fim de manter a sociedade conscientizada e também desenvolver os profissionais contemporâneos para possíveis desafios no mercado de trabalho nas futuras profissões.