Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 02/10/2020

O tema das habilidades e competências para as profissões do futuro repercute um questionamento muito atual sobre a necessidade de constante adequação do ser humano para as devidas ocupações que o mesmo está encarregado. Dessa forma, atua de maneira constante sobre o cidadão uma pressão a respeito de tudo o que ele faz em seu ambiente de trabalho. Assim colocando o profissional em uma condição semelhante a uma máquina, que não pode cometer erros e é sempre atualizada, condicionando seu trabalho para o que lhe é exigido.

Mediante esse futuro muito semelhante retratações de distopias, como na série brasileira 3%, em que o cidadão é posto a prova em uma competição onde apenas 3% da população será aceita uma localidade com uma melhor condição, seja ela de vida ou emprego. Ocasionando de maneira direta problemas sociais como a falta de acesso das pessoas pobres á instrução, o que impede que elas se adequem ao novo padrão necessário para a sua inserção no mercado de trabalho. Visto que será necessário adquirir novas habilidades para que a mão de obra se qualifique para os novos cargos que irão surgir, em vista que com o passar do tempo novos cargos e profissões surgem.

Ademais tal novidade no mercado de trabalho acarreta de maneira direta na exclusão de uma grande parcela da população que poderá ficar de fora desse processo democrático e cidadão. Tendo em mente que cada pessoa é uma espécie de “livro” á exclusão da mesma do mercado de trabalho, condiz com o sucateamento de pessoas, e de mentes. Crendo em um futuro em que novas habilidades serão necessariamente úteis para a recolocação profissional, visto que robôs já são amplamente utilizados, essa troca de mão de obra escancara uma problemática social muito grande e presente no Brasil. Visto que como dito por Joseph Brodsky, “Existem coisas piores do que queimar livros, e um deles é não lê-los”, marginalizar pessoas transforma as mesmas em “livros queimados”, na condição de que lhes é negado o direito constitucional de ser produtivo para seu país e assim obter sua renda, e não dar oportunidade ao indivíduo é o mesmo que não ler este “livro”.

Portanto é dever do Estado promover medidas como aulas em escolas, universidades e centros comunitários que busquem atualizar e ensinar novos conhecimentos as pessoas. Assim promovendo um ambiente em que a troca de conhecimentos prevaleça e todo o capital tanto intelectual quanto cultural adquirido através da vida seja utilizado em prol de todos. Dessa forma o processo de passagem para as profissões do futuro, não irá marginalizar ou penalizar as pessoas que não tiveram acesso a meios para se manter constantemente atualizadas, e o direito ao trabalho será ofertado a todos que buscarem adquirir essas novas habilidades.