Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 27/10/2020
As revoluções industriais passadas foram exemplos da importância da adaptabilidade do ser humano, enquanto transformador do meio em que vive. Durante as revoluções passadas, a desigualdade cresceu exponencialmente, como estudado pelo historiador Eric Hobsbawm, em “A Era do Capital”, devido à falta de acesso a melhores oportunidades e concentração de renda. Nesse sentido, é evidente que, para pensarmos nas habilidades e competências para as profissões do futuro, há, antes, de se analisar o que aconteceu no passado, seja pela influência da educação – ou a falta dela –, seja pelas transformações trazidas pela 4ª revolução industrial.
Inicialmente, é válido avaliar a importância da educação no sucesso profissional. Nesse sentido, Max Weber destacou em “A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo”, o fato de que os protestantes que escolheram faculdades de cunho técnico-científico foram cruciais para a concentração de renda, ainda mais visível quando comparados aos católicos que seguiram por caminhos humanísticos, e seguiram o artesanato. Como provado por Weber, nesse contexto, a oportunidade de acesso a melhores oportunidades educacionais foram cruciais evidenciando que, de maneira análoga, a situação se repete hodiernamente. Nesse sentido, a falta de incentivo à educação profissional no Brasil não facilitará a adaptação da mão de obra para a 4ª Revolução Industrial.
Outrossim, a maneira como o Brasil vem se posicionando para a 4ª Revolução industrial demonstra o quão despreparado está o mesmo. Com o fim de documentar o que estava por vir - o economista fundador do Fórum Econômico Mundial - Klaus Schwab, em seu Livro “A 4ª Revolução Industrial”, destaca que a revolução tecnológica transformará fundamentalmente a forma como se vive, trabalha e relaciona. Nesse viés, o autor reforça que as competências serão voltadas ao empreendedorismo e não mais operacionais. Profissões voltadas à Internet das Coisas, Machine Learning e Big Data, por exemplo, serão mais comuns do que hoje. Dessa maneira, então, pode se entender como a falta de qualificação poderá determinar a diminuição da desigualdade - ou seu aumento.
Diante do exposto, é necessário conscientizar o quanto o processo educacional é de notória importância. Há necessidade do Estado prover o uma educação profissional de qualidade, fornecida através das iniciativas da SETEC (Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica) - ligada ao Ministério da Educação -, por meio de cursos profissionalizantes, focados no empreendedorismo e nas profissões da 4ª revolução industrial. Além do fortalecimento das parcerias público-privadas e modernização do Sistema S (SESI, SENAI, SENAC e SESC), a fim de atingir as camadas menos favorecidas, posicionando-os da melhor forma para ascenderem socialmente.