Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 29/10/2020
Na música “Teatro dos Vampiros”, da banda Legião Urbana, a voz lírica reflete uma situação onde seus amigos estão procurando emprego e como suas situações mudaram drasticamente do que imaginavam no futuro. A dificuldade de ingressar no mercado de trabalho é uma realidade há tempos, porém este cenário será ainda mais alterado por causa das novas competências dos futuros profissionais, sendo este um problema intensificado por causa da ausência de formação adequada desde a escolaridade básica e as desiguais oportunidades para as pessoas com diferentes rendas.
Em primeiro plano, no contexto de uma mudança das competências requeridas nas futuras profissões, é evidente a falta de preparo das instituições de ensino básico e superior das redes públicas e privadas. No futuro, as habilidades necessárias para ser um bom profissional serão ainda mais singulares, e essas não são exploradas dentro das salas de aulas que ainda apresentam um ensino rígido focado em aspectos considerados ultrapassados. O profissional que se destacará será aquele que mostra-se criativo, possui um pensamento crítico, sabe resolver problemas, liderar outras pessoas, é emocionalmente inteligente e é capaz de se adaptar a diferentes situações e cenários. Habilidades que deverão ser priorizadas na formação das pessoas, reforçando a necessidade de uma reforma dentro da educação, para uma melhor capacitação dos alunos.
Em decorrência disso, as competências para as profissões do futuro são uma problemática também da esfera social, pois os indivíduos de baixa renda que não tem a possibilidade de estarem em contato com tecnologias ou não podem ter mais especializações, são prejudicados em um processo competitivo, e o Brasil já tem taxas baixíssimas de indivíduos que possuem mestrado, apenas zero vírgula oito por cento dos brasileiros de vinte e oito a sessenta quatro anos, considerando toda a população, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico. A tendência é que os profissionais capacitados para ocupar os cargos no futuro sejam os privilegiados em poder dedicar mais tempos de suas vidas em uma pós-graduação ou curso profissionalizante, de forma com que as oportunidades, que são um direito constitucional, se tornem extremamente elitistas.
Torna-se evidente, portanto, que é papel do governo, na figura do Ministério do Trabalho, em conjunto com os órgãos competentes, promover a capacitação de professores e profissionais da educação sobre as habilidades necessárias para ingressar no mercado de trabalho para seus alunos, através de cursos profissionalizantes gratuitos, além de investir em projetos que disponibilizem internet e recursos tecnológicos para jovens e adolescentes de baixa renda, visando seus estudos, e também na promoção de palestras periódicas voltadas ao planejamento prévio de suas especializações e futuras carreiras.