Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 25/11/2020

O modelo industrial fordista, predominante no início do século XX, foi marcado e representado em diversas obras da dramaturgia como um trabalho repetitivo e especializado. Hoje, diferente desse cenário, são exigidas múltiplas habilidades e competências daqueles que querem ingressar no mercado de trabalho ou se preparar para as profissões do futuro. A partir disso, um comportamento versátil e visionário é buscado por muitos, porém os desafios para alcançar tais méritos são árduos no Brasil, podendo gerar impactos na qualidade de vida dos indivíduos.

De início, entende-se que a precariedade financeira e educacional brasileira dificultam a qualificação profissional. A esse respeito, embora habilidades como o domínio de tecnologias digitais e das redes sociais, noções de marketing, facilidade de se expressar em público, em frente as câmeras e/ou em várias línguas sejam muito valorizadas, são inacessíveis a uma parcela da sociedade. Isso porque para desenvolvê-las, na maioria das vezes, é preciso uma educação básica de qualidade, ensino de informática, cursos técnicos variados e uma boa condição financeira para custear essa preparação. Assim, a marginalização de determinados grupos cresce, fomentando a taxa de desemprego, que, segundo o IBGE, corresponde a cerca de 13% da população economicamente ativa.

Ademais, a busca por essa capacitação pode gerar prejuízos ao bem-estar dos envolvidos. Nesse sentido, a “Síndrome de burnout” tem crescido significativamente e é caracterizada por um quadro de esgotamento físico e psicológico gerado pelo excesso de trabalho, desencadeando estresse, cansaço e ansiedade. Além disso, os jovens que estão iniciando sua carreira e precisam desenvolver essas competências intelectuais, sociais e emocionais para se tornarem independentes financeiramente acabam, muitas vezes, se frustrando devido à alta competitividade que têm de enfrentar e, junto à pressão social e familiar sofridas, tem-se o possível comprometimento da saúde mental. Sendo assim, fica evidente os custos dessa “corrida” no mercado de trabalho, quando encarada de forma extrema.

Logo, é essencial tornar acessível a todos caminhos para o desenvolvimento das habilidades e competências para as profissões futuras, bem como controlar os efeitos negativos dessa tendência. Para tanto, o Governo deve criar cursos técnico-profissionalizantes gratuitos, por meio de parcerias com ONGs e empresas privadas, que promovam a qualificação da mão de obra brasileira, incluindo nos programas disciplinas que abordem inteligência emocional e psicólogos que ofereçam suporte aos integrantes. Dessa forma, uma geração que acompanha a evolução do mercado e o avanço do mundo poderá se formar, sem que se negligencie a qualidade de vida dos cidadãos.