Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 26/11/2020

Segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade: “A maior ambição do inovador é que sua inovação se torne tradicional.” Dado o exposto, infere-se a necessidade de a sociedade acompanhar e exercer, em conjunto, as transformações do meio científico, o que infelizmente não acontece na atualidade. Ademais, notam-se desafios ligados às habilidades e competências necessárias para ingressar nas profissões futurísticas, seja por falta de acessibilidade, seja por negligência de um direito civil. Dessa forma, é explícito que o mundo globalizado esta em constante transformação e que a carência de apoio governamental atinge, justamente os que mais necessitam de oportunidades de emprego e renda.

Primordialmente, com os abundantes investimentos durante a Revolução Técnico-Científico-Informacional, ampliou-se o uso de máquinas, com isso, a atividade humana foi reduzida à coordenação das tecnologias. Partindo disso, a formação escolar de muitos dos indivíduos não atende as necessidades do mercado tecnológico, o que implica na obtenção do emprego. Por conseguinte, poder público é negligente em garantir a acessibilidade em relação à tecnologia do trabalho, já que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 25% dos brasileiros não tem acesso a internet, o que prejudica a adaptação às novas tendências de mercado. Assim, é notório que nem todos têm habilidades em usar ferramentas tecnológicas que são essenciais para os cargos do futuro.

Em segundo plano, cabe mencionar que a Constituição Federal, de 1988, afirma que é dever do Estado proporcionar um ambiente favorável ao trabalhador, com dignidade e aprimoramento de acordo com os adventos sociais. Outrossim, é indispensável que esse direito seja garantido a todos os cidadãos brasileiros, entretanto, o jornal “O Globo”, em 2019, relatou que o Brasil carece de políticas públicas de capacitação tecnológica de microempresas e trabalhadores autônomos. Analogamente, a globalização gera tecnologias de comunicação para que se mantenha as relações mundiais em constante fluxo. Logo, a contratação dos empregados requer um modo seletivo, tendo em vista as necessidades do mercado, acarretando em competitividade e a exclusão dos menos privilegiados.

Em vista dos argumentos apresentados, são necessárias ações governamentais a fim de promover um acesso igualitário às novas profissões, de forma a tornar a  inovação tradicional e inclusiva. Portanto, o Ministério do Trabalho deve fornecer programas de acesso à “banda larga”, em lugares periféricos, e capacitação profissional com mídias de internet,  com agentes especializados, aliado ao uso de metodologias voltadas ao mercado, com o intuito de garantir aos cidadãos menos privilegiados, igualdade e a realização dos seus direitos. Por fim, cabe ao Ministério da Educação incorporar a informática aos currículos escolares, de modo a preparar os alunos para as profissões do futuro.