Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 03/01/2021

A produção cinematográfica “Inteligência Artificial”, de Steven Spielberg, narra uma realidade surreal em que seres humanos convivem com robôs e com tecnologias nunca vistas pela sociedade. Não distante da ficção, a conjuntura anunciada por Spielberg se aproxima do contexto brasileiro e será capaz de alterar um dos cenários mais importantes: o trabalho. Nesse viés, as habilidades e competências para os profissionais do futuro passam pela habilidade de reaprender e pelo desenvolvimento da inteligência emocional.

Diante desse cenário, a capacidade de aprender a aprender será uma das importantes características do trabalhador. De acordo com a pedagoga Vera Maria de Candau - em sua obra “Educação e Didática Escolar” - o atual sistema de ensino é baseado no modelo ultrapassado do Iluminsmo, que consiste em tratar o aluno como “seres sem luz” e em considerar o professor como único detentor do conhecimento. Logo,  o sistema educacional vigente é voltado apenas para a memorização teórica, e é incapaz de estimular o aluno a criar o conhecimento de forma ativa e constante, o que inviabiliza a atualização fundamental dos profissionais do futuro.

Além disso, outro fator a ser analisado é a inteligência emocional. Isso é elucidado pelo psicólogo Daniel Goleman - em seu livro “Teoria Revolucionária que define o que é ser inteligente” - o qual afirma que a capacidade de controlar o fluxo das emoções e refrear impulsos é essencial para conseguir ter um relacionamento interpessoal com os colegas de trabalho, o que torna o ambiente propício para o desenvolvimento das atividades com excelência. Nesse contexto, como as máquinas farão as atividades operacionais com maestria - tal como se observa no longa metragem de Steven -, as habilidades exigidas no futuro não serão técnicas, mas sim comportamentais, o que obriga o funcionário a aprimorar sua inteligência psíquica. Logo, enquanto a proposta de Goleman não for realidade, os trabalhadores serão obrigados a conviver com ansiedade, estresse e competitividade hostil.

Diante do exposto, evidenciam-se os desafios educacionais para a resolução desse impasse. Nessa lógica, cabe ao Poder Executivo desenvolver propostas que alterem os métodos educacionais atuais, por meio de palestras gerenciadas por pedagogos, as quais orientarão o comportamento autodidata dos estudantes. Paralelamente, o Ministério da Educação deve inserir a disciplina “Inteligência Emocional” nas escolas públicas e nas privadas. Isso deve ocorrer por intermédio da substituição de parte da carga teórica da Base Nacional Comum Curricular por projetos que envolvam o tema, para que se desperte o interesse do aluno ao mesmo tempo em que se desenvolve sua consciência psicológica. Assim, tornar-se-á possível construir uma sociedade permeada pelos princípios de Vera e Goleman.