Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 20/03/2021
A série Black Mirror, roteirizada por Charlie Brooker, trabalha, de modo geral, com a influência da tecnologia na vida dos indivíduos e seu impacto social nas relações em diversos âmbitos da sociedade. A partir disso, a tecnologia, nos últimos anos, como demonstrado na série, vem sendo foco de desenvolvimento e investimento, principalmente, nas áreas organizacionais do trabalho, o que contribui para uma maior necessidade de capacitação e, consequentemente, aumento da competitividade. No entanto, ao pensarmos no Brasil, esse debate ainda ocupa um espaço elitizado, pois, por ser um país marcado por desigualdades, a competitividade gerada pela tecnologia apenas intensifica as diferenças de oportunidades.
Assim sendo, na realidade brasileira, pode-se dizer que o aumento da competividade está altamente relacionado com o aumento das desigualdades, sobretudo, pensando no seu histórico atual, isto é, as oportunidades com maior retorno continuam sendo ocupadas por pessoas que possuem condições sociais e financeiras favoráveis e que possibilitam maior investimento nas capacitações pessoais. Dessa forma, para reforçar essa ideia, pode-se citar a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística (IBGE), divulgada em 2019, a qual diz que o rendimento mensal dos mais ricos correspondem a mais de 33 vezes do recebido total pela parcela mais pobre do Brasil, que é a maioria em quantidade de indivíduos.
Nesse sentido, considerando que novas possibilidades podem surgir com o desenvolvimento da tecnologia, ao mesmo tempo, há a exigência de maior investimento de tempo e dinheiro em competências e habilidades para entrar nesse mundo competitivo. Portanto, o investimento no currículo para o ingresso no mercado de trabalho, com o aumento das exigências de qualificações, se torna muito mais complicado para a maioria da população brasileira. Diante disso, fica evidente que pensar nesse desenvolvimento tecnológico e aumento das possibilidades de atuação no mercado de trabalho, é pensar também no para quem se volta essas oportunidades, ou seja, a porcentagem privilegiada.
A partir do exposto, fica evidente a necessidade de investir em medidas que contribuam para reverter essa situação. Nesse viés, o primeiro passo seria atender melhor o problema inicial da questão, sendo ele, a educação pública brasileira. Assim sendo, o Ministério da Educação, em parceria com os Centros Municipais, poderiam investir, tanto financeiramente quanto estruturalmente, nas escolas públicas. Para isso, programas de inclusão e manutenção de estudantes baixa renda poderiam ser reestruturados com o intuito de manter esses indivíduos nas escolas. Por fim, palestras e rodas de conversas seriam fundamentais nos ambientes escolares para apresentar as diversas áreas de atuação aos alunos.