Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 28/07/2021

A teoria da Modernidade Líquida elaborada por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, atribui às relações sociais e à contemporaneidade as características de um líquido maleável e fugaz. Analogamente, o mercado de trabalho configura-se como um mecanismo extremamente dinâmico, assim como previu a teoria. Isto posto, as profissões do futuro exigem uma série de habilidades, como: adaptação à tecnologia e criatividade. Todavia, nem todos os brasileiros possuem a oportunidade de se adequar à essa tendência, devido à desigualdade social. À vista disso, deve-se analisar as principais competências exigidas e a importância de universalizar esse subterfúgio para atenuar as disparidades.

Nesse cenário, é importante destacar que os empregos do futuro solicitarão não só o conhecimento teórico, mas também adaptabilidade. Sob esse viés, o filme Tempos Modernos, protagonizado por Charles Chaplin, retrata a alienação do trabalhador durante a 1° Revolução Industrial. Não obstante, o funcionário contemporâneo teve que se adaptar ao cenário atual, que exige criatividade e  liberdade de criação, e não de repetições monótonas como retrado na metragem. Nessa perspectiva, de acordo com o Darwinismo Digital, termo popularizado por Tom Godwin, a seleção natural de Charles Darwin é análoga ao período tecnológico. Por conseguinte, as pessoas que não se adaptam à  tecnologia, são levadas à obsolescência. Assim, a adaptabilidade é a característica mais importante para o trabalhador.

Outrossim, é imprescindível enfatizar que nem todos serão capazes de se adequar à nova tendência, aumentando as disparidades sociais. Desse modo, de acordo com o “Mc Kinsey Global Institute”, 800 milhões de pessoas perderão os empregos para a tecnologia até 2030. Sendo assim, embora certas profissões sejam extintas, diversas outras serão criadas. Contudo, os indivíduos com menor poder aquisitivo, geralmente não terão acesso à uma educação profissionalizante de qualidade, tampouco o domínio tecnológico. Dessa forma, a desigualdade social impede que todos tenham a oportunidade de se adaptar às novas características do mercado, configurando-se como um quadro a ser revertido.

Portanto, mediante o exposto, é mister que diligências sejam tomadas para solucionar essa problemática. Logo, cabe ao Ministério da Educação (MEC), aumentar a formação profissional dos indivíduos em condição de vulnerabilidade, por intermédio da distribuição de bolsas de estudo no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Para tanto, o Tribunal de Contas da União-órgão que fiscaliza feitos públicos- deverá conceder verbas ao MEC para financiar o projeto, com a finalidade de adequar as oportunidades para que todos possam se adaptar às novas tendências trabalhistas. Destarte, as disparidades serão atenuadas, permitindo que mais profissionais se adaptem ao mercado de trabalho do futuro, solidificando a conjuntura líquida exposta por Zygmunt Bauman.