Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 06/08/2021

Impulsionada a partir do fim do século XX, a Indústria 4.0 caracteriza-se pela contínua evolução de processos tecnológicos em busca da melhoria da eficiência e da produtividade. Hodiernamente, tal configuração reverbera a disposição funcional das tendências trabalhistas, as quais buscam habilidades e competências das chamadas “profissões do futuro”. Nesse sentido, como reflexos dessa realidade, destaca-se o massivo desaparecimento de funções como acentuador da problemática da ineficiência preparatória no ensino brasileiro em relação às demandas globais.

A princípio, é relevante pontuar a incompatibilidade da manutenção de atribuições com essências que preconizem o aspecto manual ou acrítico no mundo globalizado. Por essa óptica, “A fantástica fábrica de chocolate”, filme estadunidense de 2005, ilustra, a partir da demissão do pai do personagem principal em uma linha montadora industrial, a paulatina automatização de etapas trabalhistas operacionais. Posto isso, denota-se o mesmo dinamismo no cenário brasileiro, uma vez que as grandes empresas buscam, como exigência qualificatória, disposição ampla de conhecimento tecnológico e de virtudes na versatilidade, na criatividade e na liderança. Logo, a listagem estreita a concepção prévia da mão de obra como força braçal, tornando-a uma complexa coexistência de atributos intelectuais.

Todavia, a fragilidade no sistema educacional público do país impede o desenvolvimento assertivo desses requisitos aos cidadãos. Sob esse âmbito, o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), em um relatório coordenado pela OCDE, em 2018, constatou que a escolaridade no Brasil está abaixo do nível considerado básico. Nessa perspectiva, sem o suporte acadêmico adequado, os jovens voltam-se à ocupação indiscriminada de postos laborais informais, ameaçando a sua seguridade financeira e a sua perspectiva de futuro profissional. Destarte, essa negligência governamental afeta, preocupantemente, o bem-estar social e o avanço trabalhista nacional.

Diante disso, a democratização da capacitação instrutiva é primordial. Assim, urge que as instituições educacionais, por meio da idealização de iniciativas pelo Ministério da Educação, diversifiquem a dinâmica da sala de aula. Nesse projeto, serão implementadas, como disciplinas complementares, a informática e a robótica — com a adequação explicativa em cada área do conhecimento, como o desenvolvimento de protótipos aliado a princípios físicos —, a fim de que, a partir de novos pontos de vista, o desenvolvimento estudantil moderno seja concretizado. Ademais, conjuntamente, é imprescindível que as famílias, baseadas no suporte pedagógico das escolas, possam direcionar o aprimoramento educacional juvenil também na consolidação de valores da cooperação e da polivalência, expressivos no universo do trabalho atual.