Habilidades e competências para as profissões do futuro

Enviada em 06/08/2021

Fruto de um histórico de concepções distorcidas, os obstáculos perante o desenvolvimento de habilidades e competências para as profissões do futuro, demonstram a gênese de uma sociedade que se despe de valores e de igualdade. Dessa forma, esse panorama perturbador aponta a inexpressividade do Poder Público quanto a garantia da educação, bem como demonstra a negligência de algumas instituições formadoras de opinião durante a construção de uma mentalidade social que valorize as gerações posteriores.

Com efeito, é válido pontuar que para John Locke, defensor do Contrato Social, é dever do Estado garantir os direitos fundamentais de uma sociedade. Entretanto, mesmo que, em teoria, a virtude de uma educação de qualidade, seja assegurada pela Constituição Federal de 1988, não é unânime e diversos indivíduos são colocados à margem dessa realidade. Nesse cenário, a evolução dos trabalhos acaba sendo benéfica para uma parte da população, sobretudo os de classe média e os de classe alta, por consequência do sistema público de ensino, que não oferece suporte para a preparação dos novos empregos, com destaque na área da tecnologia, que vem apresentando um crescimento exponencial nas últimas décadas, dessa maneira, a morosidade do Estado quanto a educação corrobora para o não cumprimento do direito supracitado.

Outrossim, é pertinente salientar que a urbanização e as revoluções industriais, proporcionaram uma melhora de vida para muitas pessoas, porém, a Revolução Técnico-Científica com a produção em larga escala e a substituição da mão-de-obra, com isso, as empresas assumindo uma postura capitalista, não preparam seus funcionários para o manuseio dos equipamentos, dessa forma, aqueles que não tiveram a oportunidade de se atualizar no mercado de trabalho, acabam ficando sem emprego e entrando na linha da extrema pobreza. Essa óptica demonstra a falta de altruísmo na sociedade, o que defronta o pensamento de Levinas, em que o filósofo contemporâneo enfatiza que a preocupação com o outro deve fazer parte da lógica cotidiana.

Portanto, fica exposto que a desconstrução de valores e de igualdade é edificada sob a égide da desigualdade social. Logo, urge ao governo a criação de uma instituição pública preparatória, um incentivo para as que já existem como o SENAI, que já faz um ótimo trabalho na preparação de jovens, como também, um reajuste da grade curricular do ensino público, com o objetivo de preparar as novas gerações para o mercado de trabalho e auxiliar os que já estão trabalhando. Ademais, por parte da população, a divulgação desses projetos vide as redes sociais. Assim, poder-se-á garantir o Contrato defender Locke, mas também alcançar o altruísmo de Levinas.