Habilidades e competências para as profissões do futuro
Enviada em 22/10/2021
O fenômeno da Revolução Industrial, ocorrido na Inglaterra do século XIX, alterou significativamente a dinâmica produtiva do período. Esse processo gerou novas demandas econômicas e, por consequência, profissões que não existiam até então. Com isso, especula-se acerca das habilidades e competências das profissões do futuro assim como suas problemáticas decorrências no país, seja pela carência em investimentos educacionais a longo prazo, seja pelo acelerado ritmo dos avanços tecnológicos.
A partir dessa análise, cabe pontuar o papel do Estado entre as causas do problema. De acordo com o filósofo John Rawls, um governo ético preocupa-se com a desigual distribuição de recursos e oportunidades, buscando sempre compensar as disparidades sociais. Contudo, percebe-se que, no Brasil, as autoridades políticas destoam do ideal supracitado, haja vista que não garantem boas condições educacionais e profissionalizantes aos jovens das classes mais vulneráveis, como cursos técnicos ou uma formação atrelada às futuras demandas do mercado. Desse modo, as taxas de desemprego tenderão a crescer no país, já que o mercado de trabalho valorizará profissionais qualificados e altamente especializados, além de atributos como criatividade e dinamicidade, pouco trabalhados na educação tradicional oferecida.
Ademais, destaca-se o acelerado ritmo das inovações tecnológicas no mundo globalizado. Segundo Max Weber, ação social é uma conduta que, condicionada pelo contexto histórico, também influencia coletivamente o meio em que se insere. Nessa perspectiva, as habilidades e competências necessárias às futuras profissões podem ser encaixadas na teoria do sociólogo, uma vez que são fomentadas pela ânsia, sobretudo dos setores privados, por maior produtividade e eficiência nos processos produtivos, visando máxima lucratividade. Como consequência, observa-se a intensificação da automação, desde os campos até à prestação de serviços, substituindo profissões manuais e intelectuais passíveis de serem executadas por máquinas e inteligência artificial.
Entende-se, portanto, que as requisições das profissões do futuro tornarão-se problemáticas no país se continuarem sem investimentos no presente. A fim de atenuar o impasse, o Governo Federal, Poder Executivo no âmbito da União, pode, por meio do Ministério da Educação, implementar a atual grade curricular, oferecendo cursos técnicos integrados ao ensino regular voltados para áreas que estarão em alta, como a robótica e sistemas digitais, a fim de suprir as futuras exigências do mercado profissional. Dessa forma, com base na teoria de Rawls, os jovens brasileiros terão amplas oportunidades no mercado de trabalho, pois estarão capacitados com as habilidades e competências requisitadas pelos setores econômicos.