Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 20/04/2018
Não são poucos os fatores envolvidos na discussão acerca da homofobia preeminente no Brasil. Durante a Idade Média, o homossexualismo era considerado crime de sodomia sujeito à pena de morte. Contudo, atualmente, apesar de todos os avanços sociais e ideológicos, observa-se, ainda, o predomínio de práticas homofóbicas. Dessa forma, basta observar os casos de preconceito contra casais homoafetivos e os entraves existentes para os homossexuais doarem sangue. Logo, compreender os aspectos que levam a esse cenário é fundamental para alcançar melhorias.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que o modelo engessado de família colabora cada vez mais para a ocorrência de atos preconceituosos na sociedade. Com isso, não somente casais homossexuais, como, também, os membros das suas famílias são vítimas de discriminação cotidianamente. Para ilustrar, é útil o evento que ocorreu na Grande São Paulo, no ano de 2015, no qual um menino de 14 anos foi espancado na escola em razão de ser filho adotivo de um casal de homens. Desse modo, nota-se que o preconceito é passado de geração em geração e torna a busca pela aceitação do diferente um desafio diário. Assim, faz-se necessária a manutenção da compreensão de cidadania e respeito para a formação de uma sociedade mais inclusiva.
Ainda nessa questão, é fundamental pontuar que proibir homens que realizaram atividades sexuais com outros homens em um período menor de 12 meses de doarem sangue é um feito de discriminação injustificada. Levando-se em consideração que a restrição é baseada no estabelecimento de grupos e não de condutas de risco e difere o cidadão homossexual do heterossexual, há o predomínio de um tratamento desigual. Estima-se, por exemplo, segundo pesquisa realizada pela ONG internacional All Out, que os possíveis doadores homossexuais poderiam ajudar cerca de 863.604 pessoas. Assim, denota-se que a norma afronta a forma de ser desses indivíduos e limita, não por razão médica ou científica, quem deseja doar sangue.
Nesse sentido, ficam evidentes, portanto, os elementos que colaboram para o atual quadro negativo do país. Desse modo, cabe às Escolas, com naturalidade, promoverem debates entre os alunos através de palestras, a respeito dos diferentes núcleos familiares existentes, além de mostrar a necessidade de respeitar, com o objetivo de estimular a formação de uma consciência inclusiva, enquanto a família, por sua vez, ensina ao jovem desce cedo a respeitar o próximo, formando cidadãos do bem. É imprescindível, também, que o Ministério da Saúde altere a norma de doação de sangue que difere os heterossexuais dos homossexuais, e implemente regras igualitárias para ambos, com o objetivo de erradicar o preconceito e garantir a efetiva cidadania à todos, alcançando, assim, avanços valorosos.