Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 26/04/2018
“O importante não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, a qualidade de vida é, muitas vezes, mais considerável que a própria existência. Entretanto, é evidente que os problemas acarretados pela homofobia em questão no Brasil distanciam a comunidade LGBT de vivenciar o pensamento do filósofo grego. Portanto, urge a necessidade de reconhecer e de problematizar a perpetualidade da prática de atitudes de caráter homofóbico e da injustiça contra a sociedade gay no cenário nacional. Do mesmo modo, essa discriminação detém efeito regressor no que tange à legislação e ao país.
Em primeiro plano, ressalta-se que, de acordo com levantamentos feitos pelo Grupo Gay da Bahia, só no ano de 2016 ocorreram 49 assassinatos de LGBT no estado de São Paulo. Dado isso, interpreta-se que vândalos têm atitudes nocivas à convivência coletiva, seja hostilizando, seja amedrontando, seja violando essas vítimas. Esse tipo de comportamento é demonstrado como consequência da impunidade nacional, bem como da intolerância, fomentada pela ausência de política públicas efetivas quanto à manutenção do pensamento humano, ainda quando criança, de maneira que respeite e aprenda a conviver com tal grupo minoritário sem que o exclua socialmente.
Além disso, a Constituição 1988 traz consigo perspectivas retrógradas, sendo citadas em discursos de cunho intolerante. Exemplo disso é o deputado federal Jair Bolsonaro que, defendendo seu preconceito, alega coerência na Constituição Brasileira, a qual define família como um homem e uma mulher. Por isso, a carência de projetos que visem atualizações nessas emendas contribuem na exposição de argumentos intolerantes, como os quais foram proferidos pelo político em questão. Assim, enquanto não houver alterações nas condutas legislativas do território nacional, os cidadãos brasileiros não se empenharão em mudanças do comportamento individual.
Face às considerações exploradas, compete ao Congresso Nacional, junto ao Ministério da Justiça, o enrijecimento de leis, em termos de cárcere e multas, aos infratores do respeito humano. Ainda, desse mesmo órgão, espera-se a divulgação midiática, por meio de incentivo monetário do Governo Federal, de um plebiscito referente à reforma constitucional, imperando a posição democrática no processo de garantia da cidadania às minorias sociais. Para mais, do Ministério da Educação, espera-se atividades integrativas que consistam em seriados e rodas de debate com os alunos em sala de aula, no que se refere às questões de apreço a sexualidade de cada sujeito. Também, almeja-se a adoção da matéria Cidadania e Respeito às Diferenças na grade curricular, a fim de politizar a população no que diz respeito à extinção da homofobia no Brasil. Só assim será possível a construção de um país condizente com a premissa platônica.