Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 06/06/2018
A homofobia pode ser definida como o medo, a aversão ou o ódio irracional aos homossexuais e, ultimamente, esse foi um tema muito presente na sociedade brasileira; uma vez que, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), 227 LGBTs foram assassinadas no país nos nove primeiros meses de 2017, o que confere ao país o título de líder mundial em homicídios desse gênero. Nesse sentido, deve-se analisar como o processo histórico-cultural da população do Brasil colabora com essa problemática.
Os padrões impostos à sociedade brasileira durante o seu desenvolvimento estão entre as principais causas do problema. Isto é, o crescimento da homofobia no Brasil associa-se com a ordenação patriarcal da sociedade - a organização da família em torno da figura do homem -, o machismo e o conservadorismo. Para isso também contribui o fortalecimento de grupos religiosos mais radicais, tanto católicos como evangélicos. Em outras palavras, a homossexualidade constituiria uma ameaça aos valores morais desses grupos, como a família, entendida exclusivamente como a união entre um homem e uma mulher.
Assim, como resultado da exclusão e da discriminação, são altas as taxas de crimes de ódio, depressão e suicídio entre homossexuais. De fato, assim como os assassinatos, de acordo com a Revista Abril, o suicídio configura uma das principais causas de mortes de travestis e transsexuais no Brasil, pois muitos se veem excluídos e estigmatizados pela sociedade que os rodeiam. Estudos internacionais apontam que o índice de suicídio é quatro vezes mais frequente entre LGBTs. Em virtude disso, enquanto a expectativa de vida da população brasileira em geral é de 75 anos, a média de vida de uma travesti no país não passa de 35 anos, o que assegura ao país o lugar mais perigoso do mundo para homossexuais, de acordo com a plataforma da Exame.
Portanto, é imprescindível que haja uma mobilização do Estado para mitigar essa questão. Logo, é dever do Ministério da Segurança Pública direcionar investimentos para a implantação de delegacias especializadas no maior número de cidades possível, para que os relatos sejam recebidos pela população em geral e as investigações se mais tornarem ágeis e precisas. Além disso, é de suma importância que nesses ambientes se encontrem psicólogos para dar apoio emocional às pessoas que são inferiorizadas diariamente por causa da sua orientação sexual, com o intuito de combater a homofobia. Ademais, é fundamental que se criem disque denúncias para atender àqueles que não tem acesso às delegacias, adotando a preservação da identidade da vítima e orientando a busca por apoio judicial de acordo com a sua localidade, visando a apreensão dos suspeitos e a aplicação das medidas necessárias que eliminam essas práticas intolerantes.