Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 23/06/2018
O movimento LGBT (Lésbicas, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros) conquistou cada vez mais espaço e respeito na sociedade ao longo dos anos, através de muita luta e esforço. Entretanto, paralela a essa conquista, a homofobia ainda não foi extinta, persistindo de forma expressiva em todas as camadas sociais, pois como já dizia Albert Einstein: “É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Nesse sentido, alguns entraves devem ser levantados para a resolução desse problema, como o discurso de ódio de figuras públicas e a influência causada por ele na sociedade em geral.
Em primeiro lugar, é valido ressaltar que a influência de líderes religiosos e de políticos no processo de formação de opinião de uma sociedade é extremamente grande, haja vista que as áreas de domínio dessas figuras são de grande importância para o desenvolvimento comportamental de um povo. Sob essa ótica, nota-se no Brasil, recorrentes discursos de ódio relacionados à homofobia, feitos justamente por esses influenciadores, que, de certa forma, ajudam na manutenção desse preconceito. Vale evidenciar o que foi dito em 2011 pelo líder evangélico Silas Malafaia, referente aos homossexuais, durante uma passeata: “Tem que baixar o porrete neles” e “Entrar de pau”. Além disso, durante um debate das eleições presidenciais de 2014, o candidato Levy Fidelix se dirige de forma pejorativa à essas pessoas proferindo: “Órgão excretor não reproduz”. Sendo assim, é notável o grau de periculosidade que esse tipo de discurso pode causar.
Por conseguinte, essas atitudes reverberam para uma grande parcela da população, que afeta a vida do homossexual nas mais diversas formas, seja no âmbito familiar, escolar ou de amigos. Nesse ponto de vista, vale destacar que, segundo a Associação LGBT, 63% dos jovens de 18 a 25 anos sofrem rejeição familiar após assumirem a homossexualidade, ainda, mais de 20% dos gays sofrem agressão nas escolas por causa de sua orientação sexual. Dessa forma, essa constante atmosfera hostil prejudica a sua relação nesses meios, o que pode acarretar em mais rejeição, violência e abandono.
Fica evidente, portanto, a necessidade de uma intervenção dos poderes públicos e da sociedade civil. Cabe ao Poder Legislativo criar uma lei que criminaliza a prática da homofobia, a partir de um Mandato de Injunção, para que possam punir de forma justa qualquer autor de discursos de ódio e da população em geral. Além disso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos, decretar o mês de janeiro como o “Mês Colorido” em alusão as campanhas conscientizadoras, para assim em parceria com ONGs (Organização Não Governamental), intensificarem nesse mês diversas manifestações e palestras nas escolas e praças públicas, a fim de conscientizar todas as camadas sociais e, dessa forma, ‘curar’ de vez essa ‘doença’ chamada Homofobia.