Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 26/07/2018

O filme MoonLigth, ganhador do Oscar em 2016, retrata a vida de um jovem garoto negro e homossexual lidando com o preconceito advindo de toda uma sociedade. Analogamente, quando se observa a homofobia em solo brasileiro, percebe-se que essa é tão presente quando a representada no filme hollywoodiano. Desse modo, verifica-se que a problemática persiste ligada à realidade nacional, seja pela manutenção histórica do preconceito, seja pela omissão governamental.

É importante notar, a princípio, que ideologias institucionalizadas históricamente por setores sociais são um fator preponderante para a manutenção do problema. A esse respeito, o filósofo Pierre Bourdieu, em sua teoria do Habitus, acredita que a sociedade incorpora os valores impostos à sua realidade, naturalizando-os e o reproduzindo ao longo do tempo. Dessa forma, a homofobia, surgida em partes por consequência de preceitos religiosos- a qual condena veemente a prática homoafetiva -foi incorporada pelo sistema patriarcal brasileiro e se perpetua até os dias de hoje.

Ademais, é necessário, ainda, perceber que a ausência do Governo diante dos casos homofóbicos também é uma limitação à resolução do impasse. Cossoânte Platão, em seu livro “A República”, uma sociedade ideal seria aquela que forneça equidade e justiça. No entanto, apesar da Constituição Cidadã de 1988 prezar por tais pilares, na prática, os ideais do filósofo não são encontrados, uma vez que sequer existe uma legislação específica à comunidade LGBT. Por conseguinte, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB), 445 pessoas LGBT’s foram mortas em casos homóficos somente em 2017.

Torna-se evidente, portanto, que o preconceito à homossexais está intrísecamente relacionado ao Brasil. Sob essa perspectiva, o Poder Legislativo, em cossonância com o Executivo, deverão estabelecer a prática de homofobia como crime através da criação de leis, bem como de centrais de denúncias dedicadas a esse setor. Similarmente, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve promover debates acerca da diversidade sexual e do respeito a partir de palestas ministradas por ONG’s, tais como o GGB, entre pais e filhos com o fito de reduzir o preconceito institucionalizado históricamente. Somente assim, a longo prazo, a triste histórica de MoonLigth seja apenas um enredo fictício de um filme hollywoodiano.