Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 18/07/2018

Historicamente, a homossexualidade foi constatada em várias sociedades. Na Grécia Clássica, por exemplo, era considerada normal. Contudo, alguns países do oriente médio e africano abominavam o relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, estabelecendo a pena de morte como punição. Ademais, durante a Idade Média, a Igreja Católica também condenava esse ato, o qual passou a ser visto como tabu. Hodiernamente, no Brasil, a intolerância aos homossexuais persiste. Isso ocorre uma vez que há não só o preconceito em grande parte da população, mas também devido a negligência do Estado, aliado à  baixa atuação das famílias e escolas.

De acordo com o célebre físico alemão Albert Einsten, “é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”. Nesse sentido, esse tese é concretizada diariamente, visto que os casos de homofobia têm crescido. Conforme a pesquisa realizada pelo Grupo Gay da Bahia , somente em 2016 foram mortos por homicídio 343 homossexuais. Esses números alarmantes refletem a a ineficiência do Poder Público, seja pela ausência de lei que criminalize a homofobia, seja em não assegurar o que a Constituição Federal de 1988 garante: liberdade de escolha e tratamento isônomo.

Outrossim, a deficiente atuação tanto das famílias quanto das escolas contribuem para retardar o combate a homofobia. Segundo o Educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”. Nesse contexto, a omissão de esclarecimentos, conversas sérias ou punições de pais e educadores desde cedo para com as crianças e adolescentes em relação ao direito de escolha sexual, corrobora para a perpetuação de bullying, piadas e brincadeiras maldosas no âmbito familiar ou escolar. Tais atitudes negativas podem resultar no isolamento social do indivíduo e em casos extremos o suicídio.

Evidencia-se, portanto, que medidas são necessárias para solucionar o impasse. Nesse viés, cabe ao Estado, na figura do Poder Legislativo, a criação de uma lei que criminalize qualquer ato  homofóbico, seja ele psicológico ou físico, além de disponibilizar delegacias especializadas com  o auxílio de profissionais como psicólogos, a fim de que haja uma punição mais rígida aos criminosos e o tratamento psicológico à vítima. Some-se a isso, a participação do Ministério da Educação em parceria com as escolas, por meio não apenas palestras nas instituições escolares e comunidades, bem como de aulas extras nas matérias de história, biologia e sociologia que esclareçam e desmitifiquem os tabus sobre a homossexualidade, com o intuito de sensibilizar os cidadãos a tanto entender quanto dirimir os preconceitos. Por fim, as famílias, mediante o diálogo, devem ensinar desde a fase infantil até a adulta que o respeito a forma de pensar e agir dos outros é o melhor  meio de se atingir a democracia.