Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 03/08/2018

O atentado na boate Pulse em Orlando, nos Estados Unidos, em 2015, é considerado o maior ataque a tiros do País, além de ser um ato cruel de homofobia. Nessa perspectiva, à falta de empatia ao próximo, inerente as consternações sofridas pelos homossexuais, interfere no bem-estar comum. Isso se deve, sobretudo, aos problemas sociais por negligência estatal, bem como as práticas de preconceito a esse contingente social. Essa circunstância demanda uma atuação mais arrojada entre o poder público e as instituições formadoras de opinião, com o fito de amenizar os desafios enfrentados por essa massa populacional.

De fato, é indubitável que a omissão do Estado contribua para potencializar a marginalização social dos homossexuais. Nesse viés, segundo Aristóteles, o exercício político tem por objetivo promover o bem-estar dos cidadãos. Isso posto, é perceptível que, mesmo com alguns direitos legitimados ao grupo LGBT, como a união civil homoafetiva, em 2011, são escassos, por exemplo, os banheiros específicos a esse público nas repartições do País, fato que gera constrangimentos e a intensificação da violência. Ademais, ressalta-se que, em vários presídios não ocorre a separação desse grupo social dos demais carcerários, o que fomenta a cultura da intolerância da criminalidade.

Outrossim, segundo o sociólogo Zygmunt Bauman, a falta de solidez nas relações sociais é característica da modernidade líquida. Segundo essa premissa, infere-se que, hodiernamente, a existência massiva de indivíduos preconceituosos e intolerantes está sensivelmente vinculada à fluidez da convivência social. Nesse ínterim, denota-se as agressões físicas e verbais que ocorrem nas ruas e nas escolas, a título de exemplo, as quais são caracterizadas por ameaças, assédios e espancamentos. Nesse sentido, pode-se citar o caso de Dandara, uma travesti que foi morta a tiros por oito pessoas no Ceará, em 2017. Essa conjuntura propicia o isolamento social desses indivíduos, além de causar os atos de evasão escolar e de suicídio.

Urge, portanto, que, diante da realidade nefasta enfrentada pelos homossexuais, a necessidade de intervenção se faz imediata. Para isso, cabe ao Estado, em sinergia com o Ministério dos Direitos Humanos, elaborar projetos sociais, por meio de emendas constitucionais, os quais promovam a construção de banheiros públicos destinados a população homossexual, além da criação de salas específicas nos presídios, a fim de amenizar as práticas de violência e de intolerância. Ademais, é dever da escola, em conjunto com a mídia, promover debates educativos, por meio de mesas redondas e ficções engajadas, no intuito de suscitar a sensibilização dos indivíduos. Destarte, tais mazelas serão gradativamente minimizadas.