Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 17/08/2018

Promover o bem-estar social. Assegurar a não distinção do indivíduo por raça, designação sexual ou  religião. Garantir o direito à liberdade de escolha. Trechos promovidos pela ONU, demonstram o desejo de equidade e autonomia da população em suas preferências, incluindo a sexual. Porém, nota-se um distanciamento entre o que é instituído e o que ocorre, haja vista que os desafios de garantir tais prerrogativas vão além de direitos ou leis. Compreender o atual cenário encontrado pelos homossexuais é primordial para a busca de resoluções, uma vez que o preconceito e o conservadorismo do corpo social contemporâneo são notados.

Em 17 de Maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde retirou a homossexualidade da lista de doenças internacionais, o que tornou-se o estopim para a busca da descriminalização sofrida pela comunidade de lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais (LGBT). Contexto este, o qual ainda necessita de grande discussão, pois apesar de relativas conquistas terem sido feitas como a legalização da união homoafetiva no país em 2013, ainda é observada a distinção e o receio da consumação de fatos cotidianos a exemplo da doação de sangue, a qual não é permitida à pessoas homossexuais. Realidade essa, ligada às mazelas culturais obsoletas.

Outrossim, fatos históricos marcados pela homofobia, são embasados na formação de Estados patriarcais e inflexíveis, como ocorrido na Inglaterra em 1952, onde o “Pai da Informática”, Alan Turing, substancial ao país na Segunda Guerra Mundial, foi condenado a prisão por ser gay. Caso este que não é único, porém a militância e discussão nunca estiveram tão presentes, como na atualidade. Mudanças são notadas mesmo nas camadas mais estratificadas, prova disso é a mudança na Constituição de 1988, a qual o conceito de família foi modificado para que casais do mesmo sexo possam adotar filhos. Nota-se assim, que a ação direta de entidades influenciadoras da sociedade contemporânea é necessária para a mudança de tal problema sócio-cultural.

Evidencia-se, portanto, que mesmo com as mudanças implantadas na atualidade, a aversão ao público LGBT permanece. Para contrapor tal situação, o Ministério da Educação em ação conjunta com a mídia, devem fazer campanhas nos meios de comunicação e instituições de ensino, através de informativos que expliquem cientificamente como ocorre a opção sexual, de modo a orientar a população a proteger e respeitar tais escolhas, ao passo em que o Estado criminalize os atos preconceituosos, de forma a punir os envolvidos com exclusão e multa, para que sirvam de exemplo perante à sociedade. Desse modo, será possível, a longo prazo, o encerramento permanente dessa fobia e a garantia dos direitos assegurados pela ONU.