Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 29/08/2018

Em meados do século passado, o escritor austríaco Stefan Zwig mudou-se para o Brasil devido à perseguição Nazista na Europa. Bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro”. Entretanto, quando se observa a deficiência das medidas na luta contra a homofobia no Brasil, percebe-se que a profecia não saiu do papel. Nesse sentido, é preciso entender suas verdadeiras causas para solucionar esse problema.

A princípio, é possível perceber que essa circunstância deve-se a questões políticas- estruturais. Isso se deve ao fato de que, a partir da impunidade em relação a atos que manifestem homofobia, o seu combate é minimizado e subaproveitado, já que não há interferência para mudar tal situação. Tal conjuntura é ainda intensificada pela insuficiente laicidade do Estado, uma vez que interfere em decisões políticas e sociais, como aprovação de leis e exclusão social. Prova disso, é, infelizmente, a existência de uma “bancada evangélica” no poder público brasileiro. Dessa forma, atitudes agressivas e segregacionistas devido a orientação sexual continuam a acontecer, pondo em xeque o direito de liberdade.

Ademais, como foi dito por Goethe: “Nada no mundo é mais assustador que a ignorância em ação”. Assim, é evidente que a insuficiência de conhecimento acerca do problema na sociedade brasileira contribui para o aumento dos casos de homofobia, que subiram mais de 600% no período compreendido entre 2014 e 2015, segundo a Carta Capital. Nesse viés, é compreensível que exista uma insegurança por parte da população em relação ao diferente, já que, no pensamento de muitos, homossexuais podem influenciar a sexualidade das crianças. Entretanto, o pensamento é, muitas vezes, errôneo, visto que segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge, não há nenhuma diferença significativa entre filhos de mães lésbicas com filhos de mães héteros.

Fica evidente, portanto, que o descaso estatal associado à postura discriminatória da sociedade perpetuam a homofobia, sendo necessário a adoção de medidas que atenue esta série de problemas. Nessa perspectiva, é indispensável que os devidos órgãos legislativos propiciem a aprovação de uma lei que criminalize a homofobia, a fim de findar a violência sofrida pela população LGBTT. Além disso, as instituições de ensino, em parceria com a mídia e ONGs, podem fomentar o pensamento crítico por intermédio de pesquisas, projetos, trabalhos, debates e campanhas publicitárias esclarecedoras. Outrossim, ONGs em parceira com o Ministério da Justiça devem criar ouvidorias para coletar denuncias e encaminha-lás aos setores responsáveis, com o propósito de agilizar a ação da justiça e garantir sua efetivação. Com essas medidas, talvez, a profecia de Zweig torne-se realidade no presente.