Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 29/08/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para indivíduos homossexuais que, diante de agressões - físicas ou verbais - sofridas por causa da sua orientação sexual, vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de agir para aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por estes indivíduos, o conservadorismo religioso e a falta de empatia da pós-modernidade contribuem com a situação.

Em primeira análise, o movimento LGBT – sigla utilizada para designar lésbicas, gays, bissexuais, transexuais ou transgêneros – ganhou grande visibilidade nos últimos anos. Não obstante, a sociedade brasileira ainda apresenta um cenário em que as lutas dos homossexuais ainda são colocadas em segundo plano. Em decorrência disso, há um fator que impede o avanço dos direitos de indivíduos gays: o conservadorismo religioso no meio político. Por conseguinte, a existência de deputados pastores que fazem da tribuna do congresso seu púlpito para defender a intolerância contra LGBTs e, assim, acabam por fomentar na manutenção da LGBTfobia no país. Consequentemente, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, o Brasil apresentou um aumento de 30% nos assassinatos de gays entre 2016 e 2017.

Ademais, a fluidez dos tempos pós-modernos como caracterizou Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, contribui para essa problemática. Isso decorre do egocentrismo e individualismo, comuns nessa pós-modernidade, que gera uma falta de empatia pelo próximo. Assim, acarretando em uma sociedade egoísta e individualista, que não reflete e nem ao menos se importa com a questão da homofobia. Desse modo, a falta de empatia dos tempos pós-modernos acaba por contribuir para o distanciamento da realidade descrita por Platão da vivenciada por indivíduos homossexuais.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem estas duas realidades. Em razão disso, o Governo Federal deve, em parceria com o Poder Legislativo, criar uma legislação que criminalize a homofobia assim como é feito com o Racismo, a fim de diminuir os crescentes ataques homofóbicos. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceira com as escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito da empatia. Dessa forma, os indivíduos homossexuais não apenas viverão, mas viverão bem.