Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 01/09/2018
De acordo com a teoria da Seleção natural proposta por Charles Darwin, o ser humano é fruto de processos evolutivos; sendo assim, ainda que da mesma espécie, há diferenças que permeiam os indivíduos. Contudo, mesmo no século XXI, a sociedade brasileira padece de uma aceitação as diversidades e ostenta aversão ao que foge dos padrões impostos, principalmente aos homossexuais. Nesse sentido, é perceptível que esse mal advém de uma sociedade patriarcal e machista, calcada em visões limitadas e padronizadas, por conseguinte, causa violência, agressões verbais e físicas e problemas psicológicos nas vítimas da homofobia, impedindo a realização da sua cidadania.
Em primeira instância, por muitos anos o cristianismo foi fortemente difundido no país, permitindo a construção de uma sociedade enraizada na religiosidade que condenava a união homoafetiva e na exaltação da figura masculina, como homem, trabalhador, provedor da casa e autoridade sobre a família. Esse pensamento, presente até os dias hodiernos, constitui-se como um fato social, que segundo o sociólogo francês Durkheim, é uma maneira coletiva de agir e pensar, dotada de exterioridade, generalidade e coercitividade, então, forma-se uma imposição aos indivíduos, sem levar em conta a orientação sexual de cada um. Dessa forma, a cultura padronizada é um viés para a homofobia e a discriminação do que apresenta uma opção sexual diferente.
Somado a isso, dados do Grupo Gay da Bahia mostram que a cada 28 horas um LGBT morre por agressões físicas, e o grau de violência evidencia o grande preconceito e intolerância presente no Brasil. Ademais, essa má aceitação de um homossexual ou transgênero segue no ambiente escolar e no mercado de trabalho, pois tornam-se passíveis a agressões verbais ou intensa discriminação, tendo como última solução, para alguns, a prostituição e todos os perigos que a envolve. Como resultado do medo de assumir-se um LGBT, as taxas de suicídio e depressão crescem demasiadamente, comprometendo a democracia, sua liberdade de expressão e realização da cidadania.
Infere-se, portanto, que as crises vividas pela sociedade atual favorece movimentos extremistas os quais são demasiadamente intolerantes, pregando a violência e discriminação em detrimento do diálogo e educação. Sendo assim, é imprescindível que haja por parte do Ministério da Justiça aliado ao Ministério da Educação, a criminalização de atos homofóbicos e o combate aos preconceitos; por meio de intensas fiscalizações e punição adequada às variadas formas de agressão, e projetos escolares com especialistas e psicólogos que valorizem as diferenças, ensinando o respeito ao indivíduo que apresenta uma escolha diferente da padrão; com o intuito de exterminar o mal pela base, eliminando discursos de ódio e intolerências, além de transmitir um sentimento de punibilidade aos agressores.
Segundo o grupo, em 2013 o número de assassinatos chegou a pelo menos 312 — o que corresponde a uma morte a cada 28 horas.