Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 03/09/2018

“O importante não é viver, mas viver bem”. Segundo Platão, a qualidade de vida tem tamanha importância de modo que ultrapassa o da própria existência. Entretanto, no Brasil, essa não é uma realidade para indivíduos homossexuais que, diante de agressões - físicas ou verbais - sofridas por causa da sua orientação sexual, vivem, não necessariamente bem. Com isso, ao invés de agir para aproximar a realidade descrita por Platão, da vivenciada por estes indivíduos, a família destes e a falta de empatia da pós-modernidade contribuem com a situação.

Lançado em 2009, o filme “Prayers for Bobby” relata as dificuldades de um jovem gay para ser aceito por seus familiares. Sob esse viés, pode-se apontar como um impasse ao fim da homofobia, a discriminação enraizada em parte da sociedade, inclusive dos próprios responsáveis por indivíduos LGBTs – sigla para designar lésbicas, gays, bissexuais e transexuais. Isso porque, segundo o sociólogo Talcott Parsons, o qual diz que a família é uma máquina que produz personalidades humanas, o que legitima a ideia de que o preconceito por parte de muitos pais dificulta a extinção do preconceito contra tal grupo. Assim, o problema da LGBTfobia funciona conforme a primeira lei de Newton, a lei da inércia, a qual afirma que um corpo tende a permanecer no seu movimento até que uma força suficiente atue sobre ele mudando-o de percurso, o que dificulta a aproximação das realidades em questão.

Ademais, a fluidez dos tempos pós-modernos como caracterizou Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, contribui para essa problemática. Isso decorre do egocentrismo e individualismo, comuns nessa pós-modernidade, que gerou uma falta de empatia com o próximo. Assim, criou-se, infelizmente, uma sociedade egoísta e individualista que não reflete e nem ao menos se importa com questões LGBTs. Consequentemente, de acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, o Brasil apresentou um aumento de 30% nos assassinatos de gays entre 2016 e 2017.

Torna-se evidente a necessidade de uma tomada de medidas que aproximem estas duas realidades. Em razão disso, o Ministério da Educação deve, a fim de educar os pais, realizar palestras, em escolas, que mostrem as consequências que a homofobia traz para gays, lésbicas, bissexuais e transexuais. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, deve incluir a disciplina ética e cidadania no currículo escolar dos ensinos infantil, fundamental e médio. Essas aulas, com o intuito de desconstruir o individualismo já enraizado na sociedade pós-moderna, deverão disseminar o hábito de empatia. Dessa forma, os homossexuais não apenas viverão, mas viverão bem.