Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 07/09/2018
Redefinindo Padrões
Dandara dos Santos. Esse é o nome da travesti que foi espancada e executada a tiros em Fortaleza em fevereiro de 2017. Motivo: não se enquadrar nos “padrões de gênero aceitos”. A violência retratada em vídeos desse acontecimento e os elevados índices de agressões à população LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais e Transgêneros) evidenciam a ferocidade da homofobia no Brasil. Sob essa perspectiva, é importante abordar os efeitos do ódio institucionalizado a essa minoria social no país.
Primeiramente, cabe ressaltar uma consequência mais direta e hostil. Segundo o relatório Homofobia Mata, do Grupo Gay da Bahia, a população LGBT sofreu, em 2017, 387 assassinatos e 58 perdas por suicídio, ou seja, média de uma morte a cada 19 horas. Desse modo, mediante um estado de inércia de instituições sociais como a escola e a mídia, os quais, muitas vezes, negligenciam seus papéis de construtores da “cultura da paz”, centenas de pessoas são vítimas da aversão ao que é marginalizado.
Ainda na esteira das consequências do ódio àquilo que vai de encontro aos padrões sociais, há um fenômeno muito perigoso aos LGBTs : a chegada ao poder de pessoas preconceituosas. Esse cenário é comprovado ao perceber-se a força de projetos no Congresso Nacional, como o Estatuto da Família - classifica como unidade familiar apenas à união entre homem e mulher - e o apoio popular a Jair Bolsonaro. O referido candidato à presidência foi responsável por dizer que ter filho gay é falta de porrada. Dessa maneira, a grande legitimação ainda dada a posições homofóbicas contribui para a marginalização da comunidade LGBT e, consequentemente, para as 445 mortes supramencionadas.
Fica claro, portanto, que o ódio e a omissão de diferentes setores da sociedade relacionados à população LGBT são os responsáveis pelo Brasil ser um dos países que mais matam esse grupo. A fim de reverter esse quadro, é importante que as escolas abram maior espaço para a visibilidade dessa minoria. Isso pode ser feito por meio da organização de eventos culturais mensais a alunos e familiares, nos quais parte da programação seja destinada a abordar a homofobia em palestras, exibição de filmes e documentários e convites para apoiar a causa. Assim, em acordo com a visão de Simone Beauvoir, será possível redefinir os padrões de gênero, uma vez que são sociais, não biológicos.