Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 03/10/2018

No filme “Com amor, Simon”, lançado esse ano, um adolescente lida com os dilemas de assumir sua homossexualidade,  sofrendo alguns episódios de homofobia. Fora do cinema, esse tipo de violência, lamentavelmente, faz parte da realidade brasileira, o que mostra a ineficiência do Poder Público e de setores da sociedade civil no combate à violência contra a comunidade LGBTI, fomentando ações nesse sentido.

De fato, é notável a ineficácia do Estado no que diz respeito à mitigação de atos homofóbicos no país, principalmente devido ao fato de que, ainda hoje, não há uma legislação específica que tipifique a homofobia como crime. Nesse sentido, indivíduos que discriminem ou agridam, de alguma forma, homossexuais não são, em muitos casos, devidamente punidos, prejudicando a redução de eventos desse tipo. Ademais, leis direcionadas a essa questão seriam úteis para dar mais visibilidade e alertar a sociedade desse grave problema, assim como ocorreu com a criminalização do racismo, por exemplo.

Além do fator legislativo, a mentalidade deturpada de parte da população, que considera o público LGBTI inferior e desmerecedor de respeito, contribui para os altos índices de homofobia no Brasil. Essa forma intolerante de pensar é, muitas vezes, transmitido ou não reprimido pelas famílias e escolas, que se abstêm de diálogos, de discussões sobre o tema e da formação moral das crianças e dos jovens. Por conseguinte, é dificultado não só o combate ao preconceito, mas também a redução dos assassinatos de homossexuais, frequentemente relatados pela mídia.

Torna-se evidente, portanto, que para atenuar a homofobia, o Governo deve aprovar uma legislação específica contra atos homofóbicos, além de criar uma ouvidoria para denúncias desse tipo, facilitando a aplicação da lei, reduzindo a impunidade e inibindo novos episódios. Ademais, famílias e escolas devem, por meio de diálogos, palestras para pais e filhos e seminários, transmitir valores de tolerância e respeito, a fim de formar cidadãos que convivam harmonicamente entre si, independentemente da orientação sexual de cada um.