Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 01/10/2018

Na Segunda Guerra Mundial, o matemático Allan Turing construiu o que se tornaria o computador moderno. Nesse contexto, o cientista não imaginava que, anos depois, se tornaria grande vítima de homofobia pelo governo, apesar de suas contribuições. Do panorama bélico à perspectiva hodierna do Brasil, é nítido que o preconceito contra grupos LGBT ainda atua como algoz a genuína democracia, seja pela falha na educação social, seja pela ausência de leis nesse sentido.

Para o político Theodore Roosevelt, educar o intelecto sem educar a moral é criar ameaças. Nesse sentido, tal observação fica ainda mais clara ao analisar-se grande parte do ensino no país verde e amarelo. Nessa perspectiva, tal ensino privilegia muito o conhecimento científico, e acaba dando pouca atenção a educação social e emocional que, muitas vezes, não podem ser aprendidos em ambiente domiciliar. Dessa forma, é nítido que esse tipo de educação faz falta e acaba contribuindo para formação de preconceitos.

Vale salientar, ainda, que não existem leis específicas contra a homofobia no Brasil. Diante disso, atos homofóbicos não são denunciados e, muitas vezes, sequer identificados devido à dificuldade enraizada no corpo social em considera-los crime. Como produto dessa realidade, o país ocupa a primeira posição em assassinatos contra pessoas LGBT, segundo o Grupo Gay da Bahia. Diante disso, esse preconceito tem passe livre para se perpetuar na ‘’ terra de palmeiras e sabiás’’

Parafraseando o filósofo Immanuel Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Partindo dessa égide, é condição ‘’sine qua non’’ que o Ministério da Educação, por meio de intervenções na grade escolar, adicionem mais tempo a matérias como sociologia e história, principalmente no tocante ao estudo de grupos sociais e minorias, bem como torne obrigatório a presença de um psicólogo nos colégios, para que assim os alunos sejam clarificados acerca da importância da isonomia e aceitação, o que finalizaria na formação de adultos mais tolerantes. Ademais, é imprescindível que indivíduos em prol da causa LGBT, pressionem o Poder Legislativo, para que este, por meio da criação de leis contra a homofobia, possa promover mais segurança a essa classe. Mediante tais medidas, o Brasil não cometerá o mesmo erro que foi cometido com o ‘’ pai da computação’’, Allan Turing.