Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 02/10/2018

A Revolta de Stonewall aconteceu em um bar de frequência homossexual, em Nova York, onde os frequentadores do bar, constantemente abordados pelos guardas, partiram para o confronto aberto com os policiais, em 28 de junho de 1969, data que tornou-se conhecida internacionalmente como o “Dia do Orgulho Gay”. Nesse sentido, nota-se, hodiernamente no Brasil, a luta dos LGBTs (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transsexuais ou Transgêneros) por seus direitos e reconhecimento social, em meio à atos de homofobia. Nesse contexto, faz-se necessária a análise de dois aspectos: a insuficiência de leis e a lenta mudança de mentalidade social.

Primeiramente, é indubitável que a questão legislativa e a sua aplicação estejam entre as causas de atitudes homofóbicas. Conforme matéria publicada pelo site Catraca Livre, o Brasil é o país que mais mata LGBTs no mundo: 1 a cada 19 horas. Sendo assim, observa-se a prevalência da violência em detrimento do princípio de isonomia previsto na Constituição, já que, muitos cidadãos se utilizam da inferioridade de pessoas homo e bissexuais para externar ofensas físicas e verbais, excluindo-os socialmente.

Outrossim, destaca-se o preconceito de gênero como impulsionador dos casos de homofobia no Brasil. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de agir e de pensar. Seguindo essa premissa, vê-se que a preparação do preconceito de gênero se encaixa na teoria do sociólogo, uma vez que se uma criança vive em uma família com esse comportamento, tende a adotá-lo também por conta da vivência em grupo. Por conseguinte, a continuação do pensamento de inferioridade dos LGBTs, transmitido de geração a geração, atua como base forte dessa forma de preconceito, perpetuando o problema no país.

Em vista dos fatos supracitados, torna-se imprescindível a adoção de medidas que venham punir atos de violência contra os LGBTs e amenizar o preconceito de gênero. Destarte, cabe ao Poder Legislativo, condenar as pessoas que cometam ações homofóbicas, por meio da criação de uma lei que tenha uma pena inafiançável de 1 a 5 anos, com o intuito de acabar com as práticas de agressões físicas e verbais. Ademais, o MEC deve promover uma campanha nas escolas, onde os pais dos alunos sejam orientados a não julgarem as pessoas homo e bissexuais, mostrando que elas são tão normais quanto qualquer outro cidadão, fazendo isso não com o objetivo de persuadir os pais a ajudarem seus filhos na escolha de gênero, mas sim que eles ensinem que não se deve discriminar ninguém, seja qual for o motivo. Desse modo, será possível alcançar o respeito social  dos LGBTs, sem que cenários de revolta, como o de junho de 1969, mostrem-se presente, contribuindo, assim, para o progresso do país.