Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 02/10/2018

O filósofo Platão, em um dos seus manuscritos, afirmou que “o importante não é viver, mas viver bem”. Contudo, a máxima proposta pelo pensador da Antiguidade encontra-se corrompida no cenário brasileiro atual em virtude da homofobia, responsável por afetar negativamente milhares de pessoas. Dentro desse contexto, é preciso analisar como o legado histórico-cultural e a pouca representatividade influenciam essa problemática.

Observa-se, em primeira instância, que as bases de formação do Brasil é um dos causadores desse mal. Conforme Burrhus Frederic Skinner, “o comportamento é moldado por reforços positivos e negativos”. A esse respeito, no tocante à homofobia, cabe destacar que a tese do memorável psicólogo norte-americano pode ser comprovada no contexto brasileiro graças aos valores arcaicos de formação da sociedade, os quais legitimam as ações homofóbicas atreladas, na maioria das vezes, a preceitos religiosos. Por conseguinte, muitos indivíduos são tratados em condições de desigualdade ou espancados até a morte, como no caso da travesti Dandara, ocorrido em meados do ano de 2017. Assim, ações educativas tornam-se essenciais para mudar essa realidade.

Ademais, os impactos gerados pela pouca representatividade no âmbito político é, também, fator que merece destaque. Isso porque devido à escassez de representantes do movimento LGBT nos espaços públicos, muitas das pautas relacionadas à defesa dessa minoria social são negligenciadas, como a criminalização da homofobia. Por conseguinte, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, a cada 25 horas um homossexual é assassinado no país. Tal fato, por sua vez, vai de encontro às ideias do memorável político inglês Clement Attlee, o qual defende que “a democracia não é apenas a lei da maioria, é a lei da maioria respeitando os direitos da minoria”. Desse modo, o Estado deve atuar para alterar esse cenário e garantir que todos possam gozar de forma igualitária do direito à vida.

Portanto, é preciso buscar medidas para solucionar esses entraves. Logo, cabe ao Ministério da Educação, por intermédio de psicopedagogos e professores de história, criar palestras e discussões em sala de aula sobre os valores intrínsecos à formação do Brasil e suas consequências na atualidade, no intuito de estimular a empatia e o respeito à diversidade. Outrossim, é dever do Governo Federal, com o auxílio de empresas publicitárias, criar campanhas para incentivar a comunidade LGBT a adentrar no ambiente político, a fim de tornar esse espaço mais diverso e fomentar, mediante a representatividade, o fortalecimento da luta para proteger essa parcela da população. Indubitavelmente, apenas dessas formas será possível viver bem, consoante aos ideais platônicos.