Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 09/10/2018

Alan Turing foi o cientista britânico que inventou o computador no contexto da Guerra Fria. Ele, por ser homossexual, foi afastado de seu trabalho e condenado à castração química, já que, vivia numa época em que ser gay era considerado crime. Na hodiernidade, infelizmente, apesar de todo o avanço da civilização, ainda é possível ver pensamentos análogos, no que se conhece, hoje, como homofobia. Nesse sentido, por ser caracterizada como aversão a homoafetivos e ser muito problemática, faz-se necessário não só analisar as razões da homofobia, mas também expor as formas de combatê-la.

Segundo o filósofo Michel Foucault, o ser humano tem dificuldade de lidar com o diferente e tende a excluí-lo. Sob essa perspectiva, percebe-se o conservadorismo existente no país como uma das principais causas da homofobia. Isso porque a falta de aceitação ao diferente, por parte da sociedade, é pautada na ideia retrógrada -influenciada pela história e pela religião- de que relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo são errados, pecaminosos e até ‘abomináveis’. Por conseguinte, o reflexo dessa intransigência se mostra nos inúmeros casos de violência contra LGBTs noticiados frequentemente. Um exemplo trágico disso foi o caso de uma mãe, no interior de São Paulo, que matou seu próprio filho de 17 anos, pois não aceitava que ele fosse gay. Dessarte, fica evidente que para diminuir os casos de homofobia é preciso desconstruir esse pensamento patriarcal e intolerante.

Nesse cenário, tem-se o movimento LBGT+, que surgiu no Brasil na década de 70, e tem papel essencial na luta pelos direitos desse grupo. Isso porque, apesar dos constantes ataques que enfrenta, tal movimento consegue inspirar muitos homossexuais a se aceitarem da forma que são e engaja grande parcela da população ao ajudá-la a ser mais receptiva e respeitadora em relação à diversidade. Para tal, a organização promove passeatas -que mobilizam milhares de pessoas, como é a Parada do Orgulho LGBT-, e discussões que trazem à tona os problemas enfrentados pelos homossexuais e as formas de resolvê-los, alcançando, assim, suas reivindicações. Um exemplo célebre de conquista ocorreu em 2013, quando houve a regulamentação do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo.

Torna-se evidente, portanto, que a homofobia é um problema no Brasil e urge por resoluções. Para isso, é dever do governo, por meio do MEC, distribuir nas escolhas cartilhas educativas que ensinem a importância do respeito às diferenças, além de promover palestras, com pedagogos e psicólogos, e atividades lúdicas - como peças, exposições e musicais- que envolvam os alunos e suas famílias e que visem trabalhar a desconstrução do pensamento intolerante em todas as faixas etárias. Tudo isso tanto para formar, desde as séries fundamentais, brasileiros mais compreensivos quanto para assegurar a real igualdade e para garantir que o legado lamentável do século passado seja extinguido do Brasil.