Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 18/10/2018

O jovem Kaique Batista, de dezesseis anos, compartilhou seus últimos suspiros com uma barra de ferro alojada na perna, com as consequências de um traumatismo craniano e com as dores de uma arcada dentária destruída. O caso do brutal assassinato desse adolescente representa as atuais dimensões que a homofobia tomou no Brasil. Nesse sentido, fazem-se necessárias mudanças que não só protejam essa minoria estigmatizada, como também extirpem essa mazela do país.

Em primeiro lugar, é preciso salientar que, embora conquistas já galgadas, a nação canarinha permanece imersa em uma cultura retrógrada e opressora. Avanços como o 17 de maio, no qual é celebrado o Dia Mundial contra a Homofobia – referência à data que a OMS (Organização Mundial da Saúde) desclassificou a homossexualidade como doença – representa um passo frente ao impasse. Entretanto, dados do Grupo Gay da Bahia mostram que, em 2016, a cada 25 horas uma pessoa foi assassinada por ter uma orientação sexual distinta. A organização também aponta que o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Tal cenário transparece a irracionalidade daqueles que pregam o ódio aos que amam diferente.

Além disso, falhas na construção do caráter e discernimento do indivíduo corroboram para com a situação. A comunidade escolar, por exemplo, de certa forma, nutre a proliferação do preconceito; seja por professores e gestores inaptos a lidarem com a diversidade, seja pelo bullying entre os estudantes. Da mesma forma, a família contribui para tal. O imperial silêncio que essa instituição impõe acerca do assunto faz com que o jovem – principal vítima da intolerância – não encontre asilo nos pais, nem nos amigos. Isso pode gerar um panorama de baixas na psique do indivíduo, desencadear quadros de depressão profunda e, em casos mais graves, o suicídio.

Torna-se evidente, portanto, a urgência de medidas no combate à homofobia. A curto prazo, é preciso que o Ministério da Educação disponibilize minicursos que instruam professores e gestores a lidar com a diversidade de alunos, através de atividades extracurriculares que desmistifiquem, sem estereótipos, a homossexualidade, como a produção de peças e curtas metragens estrelados pelos próprios, exibidos para a comunidade, a fim de que todos possam desconstruir essa aversão à sexualidade de outrem. Ademais, a Polícia Federal deve criar um sistema de denuncias online em que haja a manutenção da integridade e o sigilo quanto à identidade da vítima, assim como a possibilidade de encarceramento do agressor. Outrossim, é a mídia televisiva, como formadora de opinião, por meio de ficções engajadas, discuta o tema e estimule o diálogo entre pais e filhos, no intuito de que possam perceber que sexualidade não infere no caráter.