Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 10/10/2018

Na mitologia grega, Cronos é o Deus do tempo que se alimenta dos próprios filhos com medo de perder o posto para eles. Por conseguinte, a metáfora representa que o tempo consome tudo, e quando aprisiona impede renovação e evolução. Hodiernamente, esse mito assemelha-se ao combate à homofobia no Brasil, tendo em vista que a macróbia falta de novas posturas, cidadã e governamental, em frente do problema, é um dos modos mais decadentes de uma nação que se diz filantrópica.

Em primeiro lugar, é inquestionável que a questão histórica esteja entre as causas do problema. Segundo Max Weber, a ação social movida por um indivíduo é dotada de um sentido intersubjetivo, que o motiva intrinsecamente. Seguindo essa linha de pensamento do sociólogo alemão, vê-se que esse comportamento é uma ação social tradicional e é motivado historicamente no país, uma vez que, desde o período colonial, há ações com caráter homofóbico. Pesquisas revelam que o primeiro caso conhecido de preconceito contra homossexualidade foi em 1614: um índio homoafetivo chamado Tibira foi preso, torturado e executado, sob o pretexto francês de purificação da terra e alma.

Convém destacar também que as falhas pedagógicas contribuem para a resistência desse paradigma. De acordo com o educador Paulo Freire, a escola precisa estimular os estudantes a refletirem, de modo a se conhecerem e ao mundo em que se inserem, intervindo sobre ele. Contrariando o pressuposto, o contexto brasileiro se caracteriza pela falta de preocupação moral nas instituições de ensino, que focam sua atuação no conteúdo escolar em vez de preparar a geração com um método conscientizador, reflexivo e engajado. Dessa maneira, o sistema educacional corrobora uma maior dificuldade em mudar tal comportamento discriminatório.

Infere-se, portanto, que medidas são necessárias a fim de atenuar efetivamente essa forma de violência. É primordial que o Governo Federal, por meio de envio de recursos, promova assistência aos grupos de apoio LGBT, objetivando inseri-los no contexto social e econômico, além de gerar informação, percepção e conscientização na sociedade em geral, recorrendo à mídia televisiva. Ademais, urge que a escola, por meio de palestras, aulas temáticas e debates, que envolvam a família, instale a reflexão e consciência nos jovens e adultos, enfatizando a formação de cidadãos que valorizem a inclusão social e o respeito às diversidades. Assim, Cronos tornar-se-á morto pelo avanço humanitário.