Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 12/10/2018
Carl Jung, psicanalista suíço, uma vez afirmou que todos nós nascemos originais e morremos cópias. Com essa declaração ele pretendia denunciar o poder coercitivo e castrador que a sociedade possui sobre o indivíduo, que é obrigado a se dobrar a uma ditadura da maioria, estabelecedora de padrões de comportamento e perseguidora de desvios à norma. Sendo assim, deriva desse fenômeno os episódios frequentes de homofobia no Brasil.
Nesse contexto de ignorância e, por conseguinte, ódio, os desejos e opiniões de uma maioria recebem a chancela do próprio Estado à revelia dos anseios dos próprios homossexuais, que observam sua dignidade e direitos minados enquanto membros desse grupo são até mesmo mortos. Em contraste, pode-se ressaltar o posicionamento da própria OMS, que afirma contundentemente que a homossexualidade não é doença nem se trata de um comportamento desviante e, por isso, não carece de tratamento.
Ademais, além da discriminação sofrida em espaços públicos, homossexuais também sofrem em casa, no âmbito privado, através da ação ou omissão de pais que se demonstram insensíveis para com sua própria prole. Por causa da falta de acolhimento, esses indivíduos são, muitas vezes, agredidos ou expulsos de casa, quando não fogem ou se enveredam por caminhos autodestrutivos, como tentativas de suicídio. Em vista do exposto, cabe o questionamento: onde está o amor cristão e o zelo pela diversidade pregado ainda no preâmbulo da Constituição dos quais o brasileiro costuma se Vangloriar?
Portanto, cabe à Câmara dos Deputados criminalizar a homofobia em caráter de urgência, com vistas a haver respaldo legal para a mobilização jurídica das vítimas. É também necessário a ocorrência de uma normalização da exposição da homoafetividade na mídia, poderoso instrumento modalizador da opinião pública, por meio de novelas, filmes e séries com elementos LGBT, a fim de que casos de homofobia diminuam progressivamente e esses indivíduos não sejam obrigados a viver como cópias da norma.
PS: Em meu caderno deu exatamente 30 linhas, mas tive de diminuir a fonte aqui para que coubesse na página. Existe algum critério de avaliação da quantidades de linhas ou não preciso mais fazer esse adendo para que vocês fiquem cientes?