Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 12/10/2018
Após a Segunda Guerra Mundial, a ONU promulgou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual assegura, em plano internacional, a igualdade e a dignidade. Entretanto, no Brasil, há falhas no princípio de isonomia no que tange o respeito e o direito à vida dos homossexuais. Entende-se, então, que a homofobia, infelizmente, ainda é um problema muito recorrente e, por isso, deve receber atenção urgente das autoridades.
A princípio, é necessário analisar, antes de tudo, o papel subjetivo da coletividade. Para o sociólogo Durkheim, a consciência coletiva é capaz de coagir os indivíduos a agirem de acordo com um padrão prevalecente. Ao seguir tal pensamento, quem destoa do modelo esperado, heteronormativo, é completamente discriminado pela sociedade em que vive, tendo em vista que é julgado como errado. Nesse contexto, é possível perceber a importância de personagens como Calie e Arizona, da série “Grey’s Anatomy”, que, por serem um casal homoafetivo, propagam representatividade ao mostrarem que o diferente também é bonito. Em suma, pessoas homossexuais são discriminadas apenas por serem quem são graças a uma norma social obsoleta completamente excludente.
Ademais, essa discriminação ultrapassa o campo verbal e, muitas vezes, chega ao âmbito da violência física. Segundo a filósofa Hannah Arendt, quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. De fato, a problemática em questão se relaciona ao conceito de banalidade do mal trazido pela escritora, tendo em vista a normalidade com a qual a homofobia é tratada no Brasil, mesmo esse sendo o país que mais mata homossexuais no mundo, de acordo com dados da revista Galileu. Dessa forma, torna-se evidente que ao negligenciar toda essa violência, a população contribui para uma estagnação, ou até mesmo um retrocesso, social e político de toda a sociedade.
Entende-se, portanto, que a violência verbal e física direcionada à classe LGBT é uma triste realidade brasileira. Torna-se necessário que o Ministério da Educação introduza nas escolas debates relacionados a esse assunto tão importante, pois é preciso que desde cedo as pessoas aprendam a repudiar o preconceito. Isso pode ser feito de forma didática e inclusiva por meio de filmes, jogos e palestras esclarecedoras. Além disso, o Governo deve, por meio do corpo legislativo, criminalizar a homofobia e, junto a isso, disponibilizar pontos de ouvidoria por todo o país para que as vítimas possam efetuar a denúncia e receber apoio. Assim, os direitos básicos inerentes à vida e à liberdade, consagrados na Carta Magna, poderão ser cumpridos