Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 13/10/2018

No livro “A República”, do filósofo grego Platão, é relatada a famosa Alegoria da Caverna, segundo a qual os seres humanos têm uma visão distorcida da realidade. Desse modo, torna-se visível que essa teoria se encaixa perfeitamente no que se refere à negação de uma parcela da sociedade brasileira de enxergar o grave problema da homofobia que cresce substancialmente no país. Nesse contexto, há dois fatores que não podem ser negligenciados: a discriminação sofrida pelos homossexuais e a difícil inserção deles no mercado de trabalho.

Deve-se pontuar, de início, que a discriminação homossexual se configura como um dos precursores para o aumento da violência contra essas pessoas. Consoante Aristóteles - apoiante da doutrina do Eudemonismo - a felicidade é a finalidade das ações humanas. Logo, verifica-se que essa teoria se encontra, lamentavelmente, deturpada no Brasil, à medida que a discriminação, e consequente violência com os homossexuais, estão presentes na sociedade. Além disso, embora a Carta Magna assegure a todos os cidadãos a dignidade humana, muitos gays são violentados verbal e fisicamente por apenas não se encaixarem no padrão heterossexual que a sociedade impõe. Não raro são veiculadas notícias de agressões, violência e até homicídio contra os homossexuais nas mídias.

Vale ressaltar, também, que a difícil inserção dos homossexuais no mercado de trabalho é outro empecilho social, tendo em vista que muitos homossexuais são diariamente vítimas de preconceito em seus próprios empregos, gerando não só medo, mas também angústia de voltar novamente para suas rotinas. Essa situação deixa premente o postulado do sociólogo Zygmunt Bauman, tendo em vista que o individualismo e o imediatismo impossibilitam, nesse caso, o respeito aos homossexuais, especialmente no mercado de trabalho. A efemeridade das relações, principalmente no que tange à banalização das relações interpessoais, configura um dos maiores conflitos da pós-modernidade.

Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação da homofobia no Brasil. Assim sendo, cabe à Mídia, com apoio de Organizações não governamentais de proteção a LGBTs, criar campanhas que visem desenvolver o senso crítico da sociedade para respeitar os homossexuais, utilizando redes sociais e intervalos comerciais na televisão, com o intuito de amenizar o desrespeito aos gays e a banalização de Bauman na inserção do trabalho. Desse modo, a visão distorcida da realidade exposta por Platão poderá ser amenizada.