Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 16/10/2018
Na cultura brasileira hodierna, relacionamentos entre indivíduos do mesmo sexo têm sido recebidos com manifestos preconceituosos e violentos por várias camadas sociais, fato que prejudica a inserção e o bem-estar do grupo LGBT -formada por lésbicas, gays, bissexuais e transsexuais- no país, arranjo populacional que tem na complacente legislação brasileira e na negligência de segmentos formadores de opinião fatores para o patológico enrijecimento da homofobia no Brasil.
Nesse contexto, na obra Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha, publicada no fim do século XIX, a dificuldade do amor homossexual no Brasil já era delineada, tendo como base o vínculo amoroso turbulento entre os personagens Amaro e Aleixo. No entanto, mais de um século da publicação da obra, a comunidade homossexual ainda enfrenta empecilhos, não possuindo o factual resguardo de direitos constitucionais a garantir a dignidade humana, haja vista o exercício da homofobia, prática tipificada como crime em mais de 70 países, mas que, no Brasil, tem a criminalização, assim como muitos outros direitos da população LGBT, não legitimada no Congresso Nacional, o que ilustra o atraso brasileiro na quebra cultural do sectarismo, posto que priva sujeitos de proteção legal contra ataques homofóbicos.
Ademais, a cada 20 horas uma vítima LGBT morre no Brasil por motivação homotransfóbica, segundo dados do Grupo Gay da Bahia(GGB). Assim, vê-se que a intolerância a grupos minoritários é uma problemática recorrente e fatal no país, que ainda retém cota ínfima de debates em muitos núcleos familiares e educacionais. Desse modo, são vários os pais que repudiam a homossexualidade no seio parental, por meio da hostilidade e da educação machista dada aos filhos, alicerçando a homofobia no intelecto da malha pueril em formação. Além disso, nas escolas, muitos discentes são vítimas de bullying por conta de seu direcionamento sexual, e a falta de um eficiente amparo às vítimas por parte da equipe docente e psicólogos da instituição, bem como a escassez de debates esclarecedores em conjunto com a família, lesam a humanização dos cidadãos e o fim do preconceito velado e explícito.
Portanto, a fim de auxiliar a incorporação sadia de LGBTs na sociedade brasileira, é fulcral que o Poder Legislativo atue de modo a colaborar com a ratificação da lei que criminaliza a homofobia, além de garantir aos homossexuais, legislativamente, prerrogativas de luta já antiga, com o intuito de albergar e proteger, à luz do Direito, esse público historicamente sufocado pelo preconceito. Somado a isso, é essencial que as escolas não estejam inertes aos ataques de bullying em seus recintos, devendo desestimular esse tipo de violência, por meio de palestras e documentários sobre a temática, e convocar os pais dos agressores e dos oprimidos para reuniões em conjunto com os filhos,com o fito de desconstruir tal perspectiva deletéria de opressão aos LGBTs que, muitas vezes, possui origem familiar.