Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 17/10/2018

‘’Penso que não cegamos, penso que estamos cegos, cegos que veem, cegos que vendo, não veem’’. O excerto do livro ‘’Ensaio sobre a Cegueira’’ de José Saramago critica uma sociedade invisual. Analogamente, tal obra se assemelha ao cenário contemporâneo, visto que o corpo social é inobservante sobre a homofobia em questão no Brasil, fruto da negligência governamental e a herança histórico-cultural.

A princípio, o descaso estatal é um dos causadores do problema. Nesse sentido, Rosseau afirma o papel do Estado em garantias sociais, contudo, a prática deturpa a teoria, embora o direito à segurança seja garantido pela Constituição, tal amparo é negado. Outrossim, isso se reflete no aumento de 30% nos casos de mortes contra gays, lésbicas e travestis em 2017, de acordo com O Globo. Destarte, é indispensável a atuação do Poder Público no combate à subjugação humana.

Não obstante, o enraizamento histórico perpetua no cenário desafiador. Mormente, isso decorre de ideologias religiosas intolerantes à orientações sexuais diferentes do padrão vigente na Idade Média. Ademais, a sociedade então, por tender a incorporar as estruturas sociais nas quais são impostas à sua realidade, conforme o sociólogo Bordieu, naturalizou e reproduziu tal preceito ao longo do tempo. Dessa forma, é preciso discutir esse fator no âmbito acadêmico, pois é inadmissível que esse antagonismo verificado no século XV ainda persista.

Torna-se evidente, portanto, que há entraves para resolução da questão. Logo, é necessário que o Poder Legislativo crie a lei ’’ Criminalização da Homofobia’’, a fim de que essa parcela demográfica tenha seus direitos assegurados pela legislação federal. Ademais, cabe às escolas, por serem formadoras de opiniões, criarem engajamento pedagógico por meio de debates e palestras administradas por especialistas em ética e moral, com a presença de pais e alunos com o intuito de despertar o senso crítico e o respeito mútuo. Dessa forma, será possível combater a cegueira dita por Saramago.