Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2018
Os ideais iluministas efervescentes no contexto europeu durante o século XVII buscava representar que todos os cidadãos eram livres e iguais em direito. Contudo, a sociedade atual, que muito reflete suas leis nos princípios do “século das luzes”, mostra-se bastante contraditória quando em vista a questão da homofobia. Embora considerado crime, a perseguição aos membros da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) mata, no Brasil, cerca de 312 pessoas por ano, o que prova que nem todos são iguais e livres em direito quanto postulado pela legislação.
A corrente literária naturalista, ao ser influenciada pelo darwinismo social, acreditava que o homem seria produto do meio, da “raça” e do momento. Sob esse viés, Aluísio de Azevedo, escritor brasileiro, foi o primeiro a tratar nas obras nacionais sobre o tema da homossexualidade. Em “O Cortiço”, as personagens Leónie e Pombinha representavam um casal homoafetivo que, pelos olhares preconceituosos, eram consideradas promíscuas, problemáticas e “defeituosas”. Fora da literatura, a discriminação é um fator presente na vida dos homossexuais, que têm enfrentado, com frequência, problemas sérios, como o isolamento social, agressões físicas e verbais e ameaças, mazelas fundamentais que servem para ilustrar uma lista bem mais longa.
Porém, mesmo diante dessa triste realidade, boa parte dos brasileiros parece não se constranger - e, talvez, nem incomodar -, preferindo fingir que nada está ocorrendo. A exemplo disso, pode-se citar que, até no ano de 2017, tramitava na Câmara dos Deputados um projeto de lei para transformar a homofobia em crime, o qual foi recusado por quase metade dos parlamentares. Assim, como reflexo desse cenário, muitos são privados de seus direitos civis e sociais básicos, como o de construir uma família. Desse modo, em um cenário marcado pela passividade, é preciso que a sociedade se posiciona frente à ética nacional, de forma a lutar pelos direitos de todos os cidadãos e, logo, evitar o pior.
Urge, portanto, a necessidade de ações que visem combater a homofobia no Brasil. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, junto às escolas de ensino fundamental e médio, promover intervenções artísticas, sob auxílio de psicopedagogos, com o intuito de despertar nos jovens uma formação crítica diante do assunto, para ensinar ideais de respeito, empatia e tolerância. Ademais, a mídia aberta, ao ter a população como influente “massa de manobra”, exerce um papel preponderante, podendo abordar de maneira mais dialética sobre a homofobia, como exposto pela novela global “A força do querer”, dando enfoque à vítima e aos seus sentimentos, de forma que o telespectador possa se sentir, refletir e entender um pouco mais sobre esse assunto. Só assim, esse problema poderá ser, gradativamente, superado.