Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 21/10/2018

Para o filósofo, John Locke, a sociedade constituiu o Estado com o objetivo de assegurar os seus direitos, tais como a vida, a liberdade e a propriedade. Não obstante, na realidade isso não é posto em prática em relação a comunidade LGBT e os crimes cometidos contra essa parcela da população que destitui os seus direitos como cidadãos. Nesse contexto, deve-se analisar como a ideologia religiosa e a sociedade corroboram para o aclive da problemática em questão.

Mormente, é notório que a Igreja possui um exacerbado poder ideológico sobre os cristãos. Por causa desse feito, a aversão aos homossexuais por parte dos devotos é legitimada por meio de princípios bíblicos que são doutrinados nessa esfera religiosa. Desse modo, os fiéis condenam as práticas homoafetivas, pois consideram pecaminosas e distintas dos preceitos divinos. Tal realidade é retratada na série espanhola ‘‘Elite’’, pois o personagem Omar, advindo da religião islamista, esconde dos pais sua sexualidade por contrariar a ideologia cristã da sua família. Por conseguinte, o indivíduo vive constantemente em uma negação e com medo de revelar sua identidade de gênero, em alguns casos, justamente pela intolerância dos pais.

Outrossim, a sociedade também está entre as principais causas do problema. Isso porque no Brasil, desde a infância a homossexualidade é tratada como forma de xingamentos e descriminalização, o que cria na visão das crianças os relacionamentos de seres do mesmo gênero como algo abominável e ao mesmo tempo cômico. Por causa dessa formação, o indivíduo se desenvolve com essa ideia na cabeça e por esses motivos os casos de violência para com os LGBT’S na atualidade são consequências da visão pejorativa do passado, visto que esses crimes são comuns na realidade brasileira. Prova disso são os dados do Grupo Gay da Bahia (GGB) ao indicar que a cada 19 horas, uma pessoa Gay foi morta no Brasil, em 2017. Devido a tal infortúnio, esses seres têm os seus direitos violados, haja vista que também não existe uma lei específica que condene os infratores.

Torna-se evidente, portanto, adotar medidas que transforme essa realidade perversa. Cabe ao Ministério de Desenvolvimento Social (MDS), em parceria com os meios midiáticos, instituir campanhas publicitárias e debates sociais com a presença dos líderes de cada religião e dos homossexuais com o propósito de promover o respeito a diversidade e extinguir o caráter preconceituoso dos cristãos. Ademais, o poder Legislativo deve criar uma lei que criminalize a homofobia, sem a possibilidade de pagamento da fiança, com pena de até 30 anos. Por fim, os pais devem condenar práticas homofóbicas por parte dos seus filhos, por meio de diálogos que destitua essa visão maléfica. Destarte, o conceito de Estado proposto de John Locke será fielmente realizado pela nação verde e amarela.