Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 23/10/2018
Na década de 1960,revoltados a severa legislação anti-LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) que existia nos Estados Unidos na época, frequentadores de um bar que costumava reunir esses grupos marginalizados decidiram reagir contra os abusos policiais. Esse conflito ficou conhecido como o Motim de Stonewall e deu origem ao “Dia Internacional do Orgulho Gay”. Desde então, os homossexuais tem conquistado cada vez mais direitos e visibilidade, como o reconhecimento da união civil e a adoção do nome social para se identificarem. Entretanto, devido a um preconceito enraizado na sociedade, ainda não é possível falar em igualdade e o caminho para alcançá-la é longo.
Segundo a Teoria do Habitus de Pierre Bourdieu, as pessoas tendem a incorporar aquilo que lhes foi históricamente imposto. De maneira análoga, a homossexualidade por muito tempo foi associada a à uma doença, seja pelos surtos de AIDS, seja pelos que a consideravam um problema de saúde mental. Na Alemanha, no final do século XIX, chegavam a ser usados choques elétricos, lobotomias e até mesmo castração para tentar “curar os doentes”. Apesar de não ser mais considerada um transtorno, os casais homoafetivos ainda são enxergados como “anormais”. De acordo com a antropóloga francesa Françoise Heritier, isso faz prevalecer a intolerância, que se encontra na dificuldade de reconhecer a condição humana naquilo que nos é diferente.
Além disso, as faces da homofobia vão além da não aceitação, podendo chegar à violência. Conforme os dados do Ministério dos Direitos Humanos - que administra o Disque 100 - as denúncias de casos de homicídio vêm crescendo cerca de 130% e, mesmo assim, a maior parte dos crimes ainda não é denunciado. Ademais, agressões verbais também são comuns - especialmente nas escolas, no âmbito esportivo ou até mesmo nas famílias - e contribuem para aumentar a incidência da depressão e do suícidio entre a comunidade LGBT.
Logo, mudanças urgentes são necessárias para mitigar os desafios que os homossexuais encontram no Brasil e que impedem o pleno exercício de sua cidadania. Em primeiro lugar, o Ministério da Educação, deve promover palestras mensais nas escolas incentivando os alunos a respeitar as diferenças e simpatizar com as causas das minorias, buscando combater o preconceito desde a infância. Cabe também às Secretarias de Segurança Pública estimularem as denúncias contra a homofobia por meio de propagandas e novas plataformas digitais específicas contra esse tipo de crime. Dessa forma, mais um passo seria dado na conquista de um país mais justo e seguro, colocando em prática aquilo que foi garantido pela Constituição Cidadã de 1988.